A nova cadeia automotiva
As novas configurações da cadeia automotiva mundial e a nova relação desta com os mercados está redefinindo a dinâmica econômica e produtiva de se agregar valor aos produtos finais. O que era econômico há dez ou mesmo cinco anos pode não mais sê-lo, em termos de escala de produção, localização das unidades industriais e dos centros de projeto do produto.
Iniciativas como o Consórcio Modular e o Condomínio Industrial, introduzidas pelas montadoras que operam no Brasil, são respostas diferentes, porém claras, na tentativa de um reposicionamento estratégico dos modelos de operação e gestão da indústria automotiva exposta às exigências e pressões da globalização dos mercados.
Condomínio Industrial é uma configuração onde alguns fornecedores, escolhidos pela montadora, estabelecem suas instalações nos arredores da planta da montadora e passam a fornecer componentes ou subconjuntos completos. Plantas com estas características são as que estão sendo construídas em Gravataí, RS (pela GM) , Camaçari, BA (pela Ford), ou que já estão sendo operadas pela VW em São José dos Pinhais.
Consórcio Modular, por outro lado, é uma configuração na qual alguns fornecedores, escolhidos pela montadora, passam não só a fornecer em subconjuntos, mas também a realizar a montagem final do veículo. Não há funcionários da montadora na linha de montagem e os investimentos neste setor são compartilhados entre montadora e fornecedores (modulistas). Neste caso, modulistas e montadora convivem numa mesma planta. A única planta do mundo que opera com estas características é a da VW caminhões, localizada em Resende, RJ.
A inserção do setor automotivo na economia globalizada provocou maior competição e intensas mudanças nas práticas de diversas áreas das várias empresas que formam a cadeia produtiva. Isto ocasionou e contínua a ocasionar mudanças na maneira como se desenvolvem novos produtos, como se organiza a produção e o supply chain management (gestão da cadeia de suprimentos), como são gerenciados os recursos humanos, entre outras consequências.
Dada a importância, os impactos e a tendência crescente pelo menos no setor automotivo que estas novas configurações estão adquirindo, pode-se concluir que qualquer empresa, instituição ou profissional que atue no setor que envolva transporte de carga deve realizar uma avaliação deste processo e dos efeitos que este pode provocar em suas atividades.
- ROBERTO MARX é engenheiro, professor do Depto de Produção da POLI/USP, diretor da Fundação Vanzolini e um dos coordenadores do Censo Automotivo no Brasil.





