A Necessidade de Empreender
Necessidade de empreender. Fato inquestionável. Novos negócios, quando bem sucedidos, geram emprego, renda e riqueza para os países. Empreender por necessidade. O mesmo fato, sob esse prisma, gera muitos questionamentos sobre o quanto ele seria apenas um indicador da situação social do Brasil ou se, apesar da motivação que leva ao empreendedorismo, esta iniciativa ainda representaria um importante impulsionador da economia.
A pesquisa GEM 2002, coordenada no Brasil pelo IBQP em parceria com o SEBRAE Nacional, ressalta essa questão: 1/3 dos empreendimentos, nos 37 países pesquisados, são gerados por necessidade. A expressão numérica do fato o torna ainda mais relevante, pois estamos falando de 107 milhões de pessoas iniciando negócios por falta de melhor alternativa de trabalho e remuneração.
Ao Brasil muito interessa este assunto, pois o nosso país não só apresenta a maior taxa de empreendedorismo por necessidade, como, juntamente com a Argentina e a China, apresenta a taxa de empreendedorismo por necessidade maior do que a por oportunidade. As investigações iniciadas pelo GEM a esse respeito formulam três questões cruciais. O potencial de contribuição de um negócio para a economia do país é afetado pela motivação que gera o empreendimento? Os empreendedores por necessidade estão vinculados apenas a empreendimentos de pequena escala, sem sofisticação, capazes de prover não mais que o emprego do seu fundador e proprietário? Seriam, então, os empreendedores por oportunidade a única fonte de inovação e de empreendimentos de alto impacto?
Ainda sem respostas definitivas, as quais dependem de uma série histórica maior o GEM está em sua terceira edição no Brasil , os resultados têm indicado que os empreendimentos por oportunidade apresentam maior expectativa de gerar empregos e que, embora a pesquisa tenha identificado uma proporção mínima de empreendedores voltados à exportação, a grande maioria desses era movida pela oportunidade. Dentre a pequena parcela que afirmou que seus produtos/processos envolvem inovação, 80% enquadravam-se como empreendedores por oportunidade.
Assim, percebe-se que fatores diversos associam-se a cada tipo de empreendedorismo por necessidade e por oportunidade. Diante disso, é fundamental que se estabeleçam políticas e medidas distintas para cada caso. Porém, até agora, quando se pensa na capacidade técnica para desenvolver alternativas, esta parece estar deslocada da diversidade das iniciativas empreendedoras. O relatório GEM Internacional destaca que, na maioria dos países, o que inclui o Brasil, os profissionais e instituições envolvidos com o tema têm seu foco principal nas iniciativas ligadas à inovação, à tecnologia e aos empreendimentos de alto impacto. Ainda existe pouca preocupação com os outros segmentos ou perfis de empreendedores. Como eles têm surgido com muita ênfase, é importante que comecem a ganhar a atenção da sociedade e dos organismos competentes.
- Simara Greco é coordenadora executiva do Projeto GEM no IBQP.
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