Alavancar a produção de café por hectare, saltando das atuais 25 sacas para 40, a médio prazo. Esta foi uma das propostas apresentadas aos cerca de 500 produtores que participaram da 20 edição do Encontro Estadual do Café, realizado ontem pela manhã no auditório José Garcia Molina, na 52 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina.
De acordo com o coordenador estadual da Cadeia Café do Emater, Cilésio Abel Demoner, há 20 anos, quando foi realizado o primeiro Encontro, a média de produção de café por hectare no Estado era de sete sacas e, atualmente este número praticamente quadruplicou. Entre os principais fatores que motivaram este aumento estão a implementação do modelo tecnológico de plantio adensado - que começou a ser utilizado em 1992 pelos integrantes da cadeia produtiva paranaense - por meio de um plano de revitalização da cafeicultura. Demoner esclarece que este tipo de produção consiste em plantar mais mudas de café por unidade de área, visto que o agricultor tem de seguir as recomendações de um pacote tecnológico que potencializa a sua produção.
O aumento da produtividade registrado ao longo destes 20 anos merece comemoração, segundo o coordenador, mas ainda não é suficiente para cobrir os custos. ''É necessário produzir 30 sacas por hectare para pagar os custos da produção. Por isso, temos o desafio de dar mais um salto e chegar a 40 sacas'', explicou. Ele completa que para atingir este patamar, é necessário que o produtor se profissionalize e siga as tecnologias.
Segundo Demoner, a média anual de produção total paranaense de café fica em torno de 2 milhões a 2,2 milhões de sacas, cujo nível é registrado desde 1992. ''Mesmo reduzindo a área, o montante se manteve porque a produtividade também se manteve'', observa. Para este ano, a previsão de produção é de 1,6 milhão a 1,8 milhão em virtude de questões climáticas desfavoráveis.
Lição do produtor
Sérgio Luiz Zafalon, técnico da Emater de Mandaguari, ensinou que para ter sucesso na atividade, o cafeicultor não pode ''queimar etapas'' e precisa ter em mãos todas as tecnologias disponíveis e realmente usá-las. Visando orientar os produtores para a possibilidade de evitar prejuízos na baixa safra, o consultor da Cafeicultura Empresarial de São Paulo, Tomás Eliodoro, apresentou alguns detalhes do Programa Safra Zero. ''É um sistema de produção de café desenvolvido em 1992 com o objetivo de eliminar a colheita no ano de safra baixa, sem prejuízos na média de produção'', disse. As principais finalidades são redução de custos; aumento da produtividade e melhoria do aproveitamento das áreas em novos plantios.
''Temos o exemplo de uma propriedade que atingia a média de 37 sacas por ano antes de utilizar o Programa e ao aderi-lo, aumentou a produtividade para 80 sacas, colhidas na safra alta''. Segundo Eliodoro, atualmente, há colheitas em cafés irrigados que chegam a 140 sacas por hectare, o que corresponde a uma média de 70 por ano. Atualmente, o Programa é desenvolvido em São Paulo, Paraná e Minas Gerais, ''com resultados positivos''.

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