O empresário Herminio Beralde está completando dois terços da vida dedicados ao mesmo empreendimento. Ele é o dono da Lavanderia Cisne, que funciona no centro de Londrina há 44 anos. ''É a lavanderia mais antiga da cidade'', diz sem demonstrar muito entusiasmo. Beralde começou na lavanderia como funcionário em 1962 e na metade da década de 1980 se tornou o dono do negócio.
Hoje, enquanto atende os clientes que aparecem na velha casa de madeira no começo da Rua Goiás, o empresário vive entre as recordações de um passado glorioso e um futuro incerto. Ele, entretanto, tem plena consciência desta realidade. ''Eu parei no tempo; eles não não'', diz em relação a alguns concorrentes que entraram no mercado há pouco tempo e desenvolvem a atividade com equipamentos e conceitos mais modernos.
Quando Beralde assumiu, a lavanderia tinha 20 funcionários e trabalho era o que não faltava. Os melhores hotéis da cidade e as maiores indústrias de jeans eram seus principais clientes. A média de peças em alguns dias variava entre duas a três mil unidades. Outro evento importante que movimentava a lavanderia era a Exposição Agropecuária, com cerca de 200 peças por dia.
O empresário lembra que a qualidade do trabalho garantiu à lavanderia o primeiro lugar nas pesquisas de opinião pública durante vários anos consecutivos. ''O trabalho era feito no capricho'', garantiu. E hoje, quem permanece no negócio, além dele, são a esposa, um filho e o motorista que busca as roupas para lavar e faz as entregas.
Beralde afirma que deixou de investir na lavanderia porque ''não dá para ficar rico com este negócio''. Ele explica que para montar uma lavanderia competitiva seriam necesssários aproximadamente R$ 500 mil. ''Se tivesse esse dinheiro, investiria em outras coisas''.
O empresário aponta uma série de motivos que impedem o pleno desenvolvimento de seu negócio atualmente: a dificuldade em encontrar mão-de-obra, o baixo poder aquisitivo da população, o aumento do número de residências com máquinas de lavar roupa e a tecnologia adotada pelos concorrentes.
Aliás, a tecnologia é o ponto ''xis'' da questão. Entre os itens citados, Beralde destaca que o mais ''prejudicial'' foi a modernização das outras lavanderias. ''Uma boa parte da nossa situação atual se deve à tecnologia; eles estão investindo em máquinas modernas e hoje nem tenho relação com as novas lavanderias'', afirma.
Apesar de tudo, o empresário se orgulha de manter alguns clientes há mais de 40 anos. E compara: ''Só sei que igual roupa passada à mão, não tem''.
A Lavanderia Cisne tem dois sistemas de cobrança: por quilo e por peça. As roupas consideradas mais simples são cobradas por quilo, R$ 5,00 para o cliente levar e R$ 6,00 quando o motorista vai buscar e levar, e as roupas sociais são cobradas por peça.
O empresário diz que morou na roça, perto de Londrina, até os 20 anos, quando veio para a cidade trabalhar na lavanderia. Ele estudou apenas até a quarta série primária.
A incerteza quanto ao futuro do negócio está em um problema de sucessão familiar. Beralde quer deixar a lavanderia para o filho, mas diz que o rapaz ainda não se decidiu sobre o assunto. Demonstrando um certo cansaço, o empresário afirma que nunca tirou férias desde que começou a trabalhar na lavanderia em 1962.

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