A 'mágica' de sustentar a família com menos de R$ 800
Londrina - Independentemente do rendimento mensal, os trabalhadores consideram que sobreviver com um salário mínimo é praticamente impossível. O valor do piso nacional válido para 2015 é de R$ 788 e permite a compra de pouco mais do que duas cestas básicas, mas o orçamento familiar padrão exige ainda o custeio de aluguel, tarifas de água e de energia elétrica, transporte, roupas e gastos com saúde, entre outros.
A pedreira Fernanda Cristina dos Santos é separada, mãe de cinco filhos e ganha o piso da categoria em Londrina, de R$ 1.150, além de R$ 250 de pensão alimentícia. O rendimento de R$ 1.400 representa 65% a mais do que o salário mínimo nacional, o que não a impede de ter de passar o orçamento na ponta do lápis. "A alimentação da minha casa custa R$ 550, mais R$ 150 de luz e 300 da prestação da casa. O resto fica para todas as outras coisas", diz ela, sobre os R$ 400 restantes.
O motivo para se tornar pedreira foi justamente para fugir de uma renda ainda pior. "É tão difícil ganhar só um salário mínimo que optei por trabalhar em obra, que é um serviço pesado", diz a pedreira.
No caso do professor de educação física Thiago de Oliveira Beraldi, o piso nacional não pagaria os R$ 880 da soma do aluguel e do condomínio do apartamento onde vive, na Vila Brasil. Com três empregos em três turnos e ao dividir as contas com a mulher, Kamilla, ele consegue ainda financiar um carro popular e ter telefone fixo, internet e canais a cabo em casa. "Se precisasse viver com um salário mínimo, teria de morar na casa dos meus pais, não teria carro, TV a cabo e nunca sairia para almoçar fora", diz. (F.G.)





