A Itália é um modelo a ser invejado
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de agosto de 1997
Corriere della Sera Milão 
Onde está o desemprego? A falta de mão-de-obra é o verdadeiro problema da chamada terceira Itália - desde a região da Emília-Romagna (apenas 5% de desempregados) até o Veneto (4%), Alto Adige, Friuli (norte e Nordeste), Marche, Toscana, Abruzzi (Centro) e Puglia (Sul). Começa assim uma longa pesquisa com a qual a revista semanal francesa LExpress abre no último número a sua seção de economia. Eloquente o título: Viagem no País do emprego total. E o que se evidencia é um atestado de admiração voltado para o sistema dos distritos industriais, à audácia das pequenas e médias empresas, à habilidade de uma estirpe de artesãos empresários que graças ao seu individualismo coletivo estão levando o país a vencer o desafio da globalização.
Mas a pesquisa do LExpress soa também como uma acusação aos líderes políticos, econômicos e industriais franceses, que pensam ainda que os italianos sabem somente fabricar sapatos e outros produtos sem futuro, e que os exportam somente graças à sua fantasia e à lira desvalorizada.
Se estivessem mais atentos, sugere-lhes a revista, saberiam que o distrito da cerâmica de Sassuolo (Modena/Emilia-Romagna) detém agora 80% do mercado internacional do setor, que Belluno (Veneto) é a capital mundial dos óculos, que Acona (Marche) produz 37% de toda a bijuteria do planeta e Pesro (Marche) 28% dos móveis. E o boom é feito de tecnologia como a biomedical valley de Murandola (Moderna/Emilia-Romagna), onde em somente 20 anos se desenvolveu um pool de empresas de vanguarda.
Na sua pesquisa, a revista analisa pequenos e grandes protagonistas: desde Flavio Boldrin (empresário mecânico de Ozzano, perto de Belogna/Emila-Romangana) até Aldo Gherpelli (que produz roupas da Dior, Armani e Max Mara); de Bruno Gnudi (máquinas para embalagem) até Maria Nora Gorni (biomédico). O que surpreende os franceses é sobretudo o sistema produtivo da Emilia-Romagna (região que assinou um tratado de cooperação com o Estado do Paraná, o Paraná-Europa): 126.500 empresas artesãs, entre elas 40 nascidas entre 1985 e 1997, fundadas em 90% dos casos por ex-operários que se tornaram empresários.
O segredo do sucesso? LExpress fala de ótimas relações industriais, criatividade individual inserida em um contexto de solidariedade, fortes organizações de cooperativas, extrema rapidez nas mudanças. Mas além disso, segundo a revista francesa, existe também a qualidade de vida. Sobretudo na Emilia, onde ninguém tem o problema de escolher entre trabalho e cappeletto, porque se pode ter ambos.
Concluindo, não deve causar espanto o fato de que membros da OCESE e da Comunidade Europeia já vieram para a Itália com o propósito de estudar os distritos. E também agora, lembra a revista, na Emília existe um contínuo vai e vem de empresários australianos e chineses, alemães e americanos.


