A internacionalização do Brasil
OPINIÃO
A internacionalização do Brasil
Ilustração: BetoFernando Marrey FerreiraO relacionamento entre os países do globo está em constante transformação, mas o objetivo individual de cada um é sempre a de tirar vantagens dos demais. Uns cooperam entre si, fortalecendo o poder de barganha e desta forma avançam em seus objetivos frente aos dos demais, sem ceder em suas posições. Os EUA, líder mundial, têm o maior interesse na interdependência assimétrica dos países, sempre ditando as regras e tentando impor sua vontade, a formação de blocos regionais atrapalha seu domínio. O bloco europeu se uniu, fortaleceu o poder da região e resiste a este processo de internacionalização indiscriminada. O Brasil aderiu a este processo sem contestação de forma individual e fraca. Estamos, portanto, cedendo em nossas posições e não obtendo vantagens em relação aos demais países.
FHC, em recente discurso no seminário de seu partido o PSDB, afirmou: Nunca esqueci o que escrevi. Completou dizendo que não desnacionalizou a economia, mas a internacionalizou. Ele desnacionalizou e internacionalizou mas de forma assimétrica, com total submissão de nosso País às receitas do FMI, do Banco Mundial e da OMC (Organização Mundial do Comércio), sem desta internacionalização ter tirado vantagens significativas em prol de seu povo.
O FMI manda ter cautela e não baixar os juros, FHC diz amém, o povo paga a conta com a inadimplência, a falência, e mesmo assim a inflação está de volta corroendo nosso salário. Sem falar em índices que medem a inflação, a dona de casa que faz o mercado, é quem pode constatar o aumento generalizado de quase todas as mercadorias. O povo brasileiro está sendo escravizado! Estas instituições internacionais estão com o chicote na mão, surrando nossa gente; ou pagam os juros da dívida ou as costas vão sangrar!
Restrições à internacionalização podem ocorrer através da consolidação de um Mercado Comum em determinada região. A União Européia é um exemplo sadio para os países da região, mas desastroso para o resto do mundo. O Brasil perde muito com esta situação e está impotente diante do efetivo poder de barganha de uma coalizão regional de países.
Caso estes países estivessem negociando de forma individual, ou seja, caso este bloco não tivesse o grau de harmonização que a institucionalização propicia, as concessões seriam inevitáveis. Caso a França não estivesse inserida no Mercado Comum Europeu, o protecionismo agrícola deste país seria muito menor, pois seria impossível resistir às pressões externas individualmente. Alguns países do bloco são contrários à permanência de concessões de subsídios aos produtos agrícolas, mas defendem a posição da França quando estão travando negociações com países de fora do bloco.
Está ai um exemplo de fortalecimento do poder dos países quando atingem este grau de cooperação. Constatamos com este exemplo, como a ação estatal, neste caso, exercida de forma supranacional, pode restringir e barrar a internacionalização. A França perdeu parte de sua soberania, cedida aos órgãos supranacionais, mas ganhou poder de influenciar o restante do bloco com sua posição, ou seja, apesar de aparentemente ter enfraquecido seu poder foi revigorado pelo maior raio de ação.
No Brasil estamos em cima do muro, não propomos nada em termos de política externa, não somos capazes de construir um Mercado Comum da América do Sul, para fortalecer o povo da região. A lógica é aderir às posições dos países desenvolvidos. O presidente do Brasil deve liderar um processo propositivo, para restringirmos a internacionalização e a dependência a que estamos sendo conduzidos. A cegueira proposital de nossos governantes é um acinte contra o povo brasileiro. Uma pena que este povo, de tão surrado, perde a cada dia a motivação para lutar contra todos estes desmandos! Diga sim ao FHC e não a você!
FERNANDO MARREY FERREIRA, é advogado, especializando-se em Jornalismo Internacional em São Paulo





