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quarta-feira, 15 de junho de 2016
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 
Curitiba Um novo ciclo positivo para a economia brasileira se avizinha, com um cenário de inflação e juros em queda, e a multiplicação de oportunidades de negócios, sobretudo, nas áreas da educação, saúde e alimentação. Esse é o resumo do diagnóstico feito pelo economista-chefe para a América Latina da S&P Global Rattings (atual nome da Standard & Poor´s Ratings Services), Joaquim Cottani, economista Ricardo Amorim e o CFO (Chief Financial Officer) do McDonalds Brasil, Ivan Zarur, que participaram do Fórum de Economia, promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), ontem, em Curitiba. O consenso otimista, porém, baseou o declínio da taxa básica de juros (Selic) do Brasil, hoje fixada em 14,25% ao ano, e a inflação de 9,32%, por uma razão nem um pouco positiva, a forte recessão que em dois anos fez passar de 7 milhões para 11 milhões o total de desempregados no País.
"A inflação está disciplinada por conta de um mercado que tem mais pessoas desempregadas e essa lacuna entre a taxa de juros praticada no Brasil e no restante do mundo precisa ser repensada, assim como ter apenas a manipulação das taxas de juros como único instrumento de Política Monetária praticado pelo Banco Central do Brasil (BCB)", defendeu Cottani. O economista-chefe para América Latina da S&P Global Rattings foi adiante na análise cravando um patamar de 7,25% para a Selic no Brasil. "Esse corte nada tem a ver com uma medida populista, pois isso é o principal componente do gasto fiscal. Reduzir para 10% e gradualmente vir para 7,25% pode ser um tanto provocativo de minha parte, mas é um caminho para ancorar as expectativas do mercado. Inflação e taxas de juros vão cair nos próximos três anos no Brasil, mas é preciso acelerar o ritmo dos investimentos na economia brasileira", destacou.
A pior derrota
O economista Ricardo Amorim aprofundou o panorama do próximo ciclo, defendendo que a percepção desse momento por parte do empresário é de fundamental importância para quem está em busca de oportunidades. "Minha principal recomendação é de que nunca desperdicem uma boa crise, pois é ela que tira pessoas e empresas da zona de conforto e as leva a fazer o que é necessário. Todo mundo lamentou a derrota para o Peru nesta semana, pois digo que a pior derrota brasileira foi na economia. Nos últimos cinco anos, o crescimento do nosso PIB foi menor que o deles", apontou. A crença na virada dessa situação, para Amorim, está calcada no encerramento de um longo ciclo decrescente, construído pelo estímulo ao consumo, que encareceu o País tanto para quem produz, quanto para quem consome. "Já batemos o fundo do poço, foram seis anos cavando, por meio de um boom de oferta de crédito, que fez o País desindustrializar, pois viramos, na época do dólar entre R$ 1,5 e R$ 2, um exportador de consumidores, uma vez que ficou mais barato viajar para comprar do que arcar com os preços dos mesmos produtos no mercado interno. Faz três anos que as empresas deixaram seus projetos de investimentos na gaveta", recordou. "O desequilíbrio das contas externas foi eliminado, com o câmbio ultrapassando R$ 3,50, o outro ponto que era a inflação também apresenta tendência de baixa. Fica ainda o desequilíbrio nos gastos públicos, em que a sociedade brasileira precisa continuar firme no hábito de cobrar dos políticos esse controle, assim como passou a fazer com a corrupção", acrescentou.
Virada
Nesse sentido, para o economista, tão logo a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do limite dos gastos públicos vire realidade e a reforma da Previdência avance, os investimentos voltarão a ser feitos no País. "A taxa de juros média no mundo está abaixo de 0,2% ao ano. Se o Brasil colocar a casa em ordem, vai chover dinheiro. Existem várias empresas estrangeiras com o dedo no gatilho para investir no Brasil, que junto de China, Índia e Indonésia são os locais que qualquer empresa global quer ter presença para expandir seu faturamento", destacou. "Estamos mais perto do que imaginamos da hora da virada e que dará lugar a um ciclo mais forte do que o vivido pela economia brasileira de 2004 a 2010. Quem fizer os movimentos antes, investindo em capital humano agora, vai aproveitar melhor esse novo momento", alertou.


