A guerra do combustível
O comércio de combustível em Londrina protagonizou recentemente cena digna das estórias de máfias que acontecem pelo mundo afora (atentado a revendedor que ainda consegue vender a preços baixos sem os artifícios propiciados pelas grandes distribuidoras). O problema que já se observava há algum tempo, tomou maiores proporções mais recentemente com a acirrada disputa pelo mercado na cidade.
As distribuidoras, com maior poder de fogo, promovem baixas estrondosas no preço de venda do combustível (inferiores inclusive ao preço de venda na base), tornando clara a formação de uma frente de dumping visando recuperar o mercado perdido face aos revendedores bandeiras brancas.
Estes que de início achavam interessante esta competição (sem noção exata da proporção que tomaria), hoje já não têm mais fôlego para manter a guerra. - Com visão obtusa, não conseguem enxergar a verdadeira causa de sua derrocada comercial e lançam a culpa aos poucos ainda capitalizados que resistem à guerra promovida pelas potentíssimas distribuidoras que pretendem a recuperação do mercado perdido.
O final da estória será a diminuição dos bandeiras brancas com a reincorporação das mesmas às grandes redes distribuidoras que certamente estabilizarão os preços de revenda nos níveis que lhes convierem em detrimento do livre mercado.
É preciso que os lúcidos que ainda restam no mercado entendam que não adianta adotar táticas mafiosas como cartelização de preços, ameaças e atentados a companheiros de revenda. Necessário é que ataquem efetivamente a causa que é a promoção de venda de combustíveis a preços utópicos, que certamente interessam não a um revendedor ou a pequeno grupo deles, mas sim a interesses de grandes distribuidoras que deitadas em berço esplêndido viram seu cativo mercado ser tomado pela dinâmica do negócio, promovida pela livre concorrência das bandeiras brancas.
É necessário que levem adiante seus negócios de forma profissional, com organização moderna, atacando a real causa dos seus problemas, planejando-se face às intempéries do mercado e deixando claro à opinião pública qual é a realidade do deste.
Arroubos tresloucados, reuniões sem objetividade, propostas antipáticas ao consumidor certamente não trarão solução para o segmento. Necessário é que se unam organizada e legitimamente e ajam de forma clara! Só assim obterão respaldo de orgãos constituídos e também do consumidor, alcançando a necessária sobrevivência com resultados dignos!
- Paulo Afonso magalhães Nolasco é advogado em Londrina.





