A gasolina sobe ou não sobe em 2012?
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sexta-feira, 30 de março de 2012
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
O chefe do departamento econômico do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, manteve a previsão de que os preços da gasolina não devem subir no Brasil em 2012. O pronunciamento aconteceu ontem, durante a apresentação do Relatório Trimestral de Inflação, e é contrário ao depoimento da presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, que há poucas semanas defendeu o aumento dos preços ainda este ano.
Hamilton argumentou que a gasolina já é, no atual preço, 50% mais cara que nos Estados Unidos. Para ele, o aumento do preço do petróleo é um risco para a retomada da economia dos EUA. ''Se fala muito em divergência de preço da gasolina no Brasil e no resto do mundo. Mas se levarmos em conta que um galão de gasolina custa em torno de US$ 4 nos EUA e que o preço do litro está em torno de R$ 2,70 e R$ 2,80 no Brasil, o galão no Brasil custaria cerca de US$ 6. Ou seja, cerca de 50% mais caro que o praticado nos Estados Unidos'', disse.
A expectativa do Banco Central é diferente da observada em alguns setores do mercado e até na Petrobras, de que é necessário elevar os preços. Nos últimos anos, o governo tem segurado o preço nas bombas para ajudar o BC no combate à inflação. Para o vice-presidente do Sindicombustíveis, Eldo Bortolini, o preço está realmente defasado no País. Mas ele considera que o reajuste seria prejudical para o setor. ''Percebemos que os preços não estão compatíveis, mas o que defendemos é o capital de giro, que só acontece se os valores forem interessantes para o consumidor'', avaliou ele.
Bortolini comentou que a margem dos empresários gira em torno de R$ 0,30, o que, para o representante do Sindicombustíveis, é pouco para cobrir as despesas de quem atua no setor. ''É uma série de custos. Só de cartão de crédito temos uma cobrança de 3%, sem contar folha de pagamento e outros custos como eletricidade. Apesar de tudo isso, é o consumidor que dita o mercado'', salientou.
Em relação ao depoimento da presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, Eldo explicou que se algo for repassado pela distribuidora este ano aos postos, fica complicado o consumidor não sentir o efeito. ''Se houver, não tem como absorver e teremos que repassar'', decretou.
No Paraná, a gasolina teve o preço mínimo comercializado a R$ 2,39, máxima de R$ 3,15 e valor médio de R$ 2,70. Em Londrina, o mínimo ficou em R$ 2,74, com pico máximo de R$ 2,89, mas com média final bem acima que o Estado: R$ 2,87. Os dados foram divulgados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). (Com Agência Estado)



