A estação dita o cardápio
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domingo, 25 de agosto de 2002
Benê Bianchi<br>Reportagem Local 
O inverno, mesmo com temperaturas elevadas como as registradas este ano em Londrina, é sinônimo de prejuízos para as sorveterias. O setor entra no seu período de entressafra, com quedas acentuadas nas vendas.
Cada um enfrenta a estação à sua maneira, criando alternativas ao baixo movimento. Na fábrica de sorvetes e sorveteria Cremone, o doce gelado dá lugar ao açucarado algodão doce. A renda não é a mesma, mas o suficiente para o pagamento das despesas fixas devidamente reduzidas, como a conta de energia que fica menor devido ao desligamento de freezers.
Givanildo Leandro Gomes, proprietário da Cremone, diz que neste inverno as vendas caíram em torno de 60%, enquanto nos anos em que as temperaturas são mais baixas, as vendas despencam 80%. Foi melhor este ano, mas para vender sorvete a temperatura tem que estar acima de 26 graus, comenta. Gomes paga adiantado as despesas que pode e o resto administra com a venda de algodão doce, produto que só vai para as ruas em dias mais frios. Em dias quentes, o doce derrete, explica.
A carta que o proprietário da loja de revenda de produtos Espucreme, Paulo César Bernardes, guarda na manga para o período é o cardápio de inverno, que é acionado no mês de abril ou maio e só sai no final de agosto. Não é suficiente para manter o mesmo movimento na loja, mas é o que sustenta o negócio nessa época do ano, comenta. O cardápio inclui foundie de chocolate, sorvete frito, sorvete flambado e sorvete ao forno, além das bebidas chocolate e vinho quente.
Tentamos reduzir as despesas fixas, desligando o ar-condicionado, por exemplo. Também com o pouco movimento, abrimos menos os freezers e isso ajuda a gastar menos energia, constata Bernardes. Segundo ele, este ano, as vendas de sorvete caíram 50% no ponto de venda Espucreme.
A Sávio Sorvetes, que trabalha nos segmentos de freezers em pontos de venda (lojas de conveniência, supermercados, padaria, farmácias) e com lojas próprias (duas em Londrina e duas no Guarujá), além de seis franquias no Norte do Estado, chega a registrar queda de 90% nas vendas nos meses frios nas lojas. Nos pontos de venda, a queda atinge 60%.
A empresa se organiza para baixar custos, dando férias coletivas para os funcionários e suspendendo investimentos. Mas as lojas precisam continuar abertas. Este ano, a novidade introduzida para levar clientes à sorveteria foi a venda de sanduíches de hambúrguer, aliada a uma promoção incluindo o lanche, suco de laranja e um copo de sundae por R$ 3,50.
Foi um sucesso e vamos manter o sanduíche no verão. Nossa meta é nos firmarmos no mercado de sanduíche a médio e longo prazo, comenta o responsável pelo setor de comunicação e marketing da empresa, Alexandre Viotto. Para os pontos de venda, a empresa enfocou a venda de sorvetes mais calóricos e que provocam a sensação de estarem menos gelados.
Se a venda de sorvete não foi boa no inverno quente, o mesmo se pode dizer de sopas. O restaurante Barraco das Sopas, que tem o prato como ponto forte, este ano teve que concentrar esforços na venda de pizzas e nos demais itens do cardápio (massas e grelhados).
Esperávamos bastante deste inverno. Ainda bem que, como usamos produtos perecíveis, não chegamos a fazer estoques, informa o proprietário do restaurante, Sandro Takahashi. Ainda bem que introduzimos a pizza no nosso cardápio no final do ano passado, emenda.


