À espera de uma boa produtividade
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 

Não foi apenas a economia brasileira que passou por perrengues neste ano. No agronegócio nacional, a safra 2015/16 foi marcada pelas peraltices do fenômeno El Niño, que derrubou o volume de grãos produzidos ao menor patamar em seis anos, de acordo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Mesmo assim, o PIB do setor que ainda não está fechado deve crescer entre 2,5% e 3%, enquanto o indicador global deve fechar em queda de pelo menos 4%.
Diferentemente do cenário nacional, a safra paranaense do último ano não foi tão ruim. Segundo a CNA, o Estado foi o que apresentou menor quebra de grãos em relação ao ano anterior: 5%. As boas colheitas de soja e milho a partir de janeiro darão um fôlego mais interessante para a safra 2016/17, que tem perspectiva interessante e de câmbio favorável. Mesmo assim, a expectativa é que o PIB do agronegócio cresça 2%, enquanto o Valor Bruto de Produção (VBP) atinja R$ 554,2 bilhões em 2017 (+2,3%).
De acordo com o consultor da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro, a safra 2015/16 ficou marcada pela quebra forte de produção em algumas regiões de até 30% - e, claro, baixa rentabilidade. "Muitos produtores não conseguiram honrar seus financiamentos, pagar as revendas, as compras de insumos, ou seja, toda a cadeia foi atingida. Os problemas climáticos acabaram bem acentuados e geraram dificuldades aos produtores". Para a nova temporada, Rafael vê uma alternância de cenário. "Agora teremos, se tudo correr bem com o clima, uma maior oferta de grãos".

Soja e milho
Basta uma olhada pelas lavouras de soja pela região de Londrina para perceber o otimismo dos produtores para a colheita que se inicia em janeiro. A alternância de chuvas e a boa luminosidade gera uma expectativa de excelente produtividade. O valor deve atingir 18,3 milhões de toneladas, volume 11% maior que o colhido na safra anterior. No total, a primeira safra de grãos paranaense deve fechar em 23 milhões de toneladas, alta de 15%. Os números são do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretária de Agricultura (Seab).
"A lavoura passou por um período de estresse inicial com estiagem, especialmente nas regiões Norte e Oeste, mas as chuvas dos últimos dias regularizaram e a cultura se encaminha para uma grande safra", salienta o economista Marcelo Garrido, chefe da conjuntura agropecuária do Deral.
No caso do milho primeira safra, apesar de uma produção pequena comparada à soja, a expectativa é de crescimento de 33%, atingindo a marca de 4,37 milhões de toneladas. Já para a segunda safra - a mais representativa do Estado - a expectativa é de uma área de 2,3 milhões de hectares e 13,5 milhões de toneladas, o que também gera um aumento de 32% no volume. "Acredito que neste início de ano é o momento do produtor negociar. No caso do milho, teremos um cenário mais firme entre janeiro e fevereiro, mas que deve recuar com a pressão da colheita, ficando com preços mais baixos em 2017. Já a soja espera boa produção dos EUA, Brasil e Argentina, ou seja, também com expectativa de preços mais comedidos no ano que vem".


