São Paulo - O dólar caiu 0,68% e fechou vendido a R$ 2,883, a menor cotação em quase dois meses. Foi a segunda sessão consecutiva de baixa. Com isso, a moeda dos EUA acumula queda de 3,2% no mês e de 18,6% no ano.A expectativa de ingresso de divisas tem ajudado a manter o dólar em trajetória de queda, segundo José Roberto Carrera, da corretora Novação.
As captações externas anunciadas recentemente por empresas e bancos levam de 15 a 20 dias para serem concluídas, irrigando o mercado, segundo o analista.
A aposta de um novo corte agressivo da taxa básica de juro pelo Comitê de Política Monetária (Copom) também anima o otimismo do investidor. Espera-se uma redução de, no mínimo, dois pontos percentuais, para 20% ao ano. ''O mercado está embutindo nos preços a expectativa de reaquecimento da economia com os juros mais baixos. Sabe-se, no entanto, que a retomada do crescimento ainda não ocorreu'', afirma Jorge Kattar, analista do banco holandês Rabobank.
Em tese, um corte de juros pode motivar uma alta do dólar, com os ajustes nas carteiras dos investidores, como a migração de recursos aplicados em renda fixa.
Mas Kattar destaca que um novo corte dos juros favorece também a percepção do investidor estrangeiro em relação ao Brasil, o que pode ampliar as oportunidades de captação de dinheiro no exterior. ''Juros menores representam uma economia para o país na gestão de sua dívida.''
Bovespa - O principal índice da Bovespa fechou em queda de 0,48%, aos 16.341 pontos. No mês, a alta acumulada atinge 7,6%. No ano, os ganhos somam 45%. Mas o destaque de ontem foi o volume financeiro, que atingiu o maior valor desde abril de 2001. Os negócios movimentaram R$ 2,113 bilhões. Esse giro foi inflado em R$ 991,6 milhões pelo exercício dos contratos de opções - o maior desde fevereiro de 2000. Neste mês, a média diária de negócios já supera R$ 1 bilhão, o que não ocorria desde o início de 2000.
Apesar da pequena queda do Ibovespa ontem, o mercado está otimista com a expectativa de corte na taxa Selic. A Bovespa divulgou ontem que o saldo do investimento estrangeiro bateu novo recorde. No acumulado do ano, até o último dia 10, as vendas superaram as compras em R$ 4,027 bilhões, sendo R$ 577,7 milhões apenas nos dez primeiros dias deste mês.

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