À espera da calmaria
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terça-feira, 26 de julho de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 

Não está fácil para o produtor e empresas integradoras manterem aves e suínos alimentados para posterior abate, fazendo as cadeias de ambas as proteínas continuarem em pleno funcionamento. Os custos de produção divulgados pela Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa (CIAS) subiram pelo quarto mês consecutivo até julho. De acordo com o levantamento, o ICPFrango/Embrapa índice criado pela Embrapa em 2011 e baseado nos custos do Paraná - acumula alta de 34,4% nos últimos 12 meses. Já o ICPSuíno que utiliza como base os custos de produção do porco em Santa Catarina disparou 38,8% no mesmo período. Mas depois da tempestade vem a bonança: agora, com a safra de milho safrinha no mercado interno, o cenário pode mudar nos próximos meses.
O analista da área da socioeconomia da Embrapa, Ari Jarbas Sandi, explica que apesar de anunciada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a redução na produção de milho em 13,3% na safra e 21,1% na safrinha, e de a cotação do dólar continuar favorável à exportação de produtos derivados da agricultura e da pecuária, o mercado de grãos no mercado interno, especialmente o milho, tem sinalizado possíveis reduções de preços no atacado durante o próximo mês. "Se esta tendência se confirmar, certamente o setor produtivo de carnes poderá respirar um pouco mais aliviado".
Ele faz ainda um histórico sobre o que aconteceu nos dois principais estados produtores das proteínas acompanhadas pela Embrapa. "No Paraná, o preço do milho no atacado simplesmente duplicou nos últimos 12 meses. Em Santa Catarina, maior produtor de suínos, este mesmo insumo obteve um aumento de preço na ordem de 88,3%. Já para o farelo de soja, matéria-prima indispensável na formulação de rações para frangos de corte e suínos, o aumento no período analisado foi de 37,5% no Paraná e de 38,1% em Santa Catarina".
Fôlego
Representantes da cadeia no Estado estão na expectativa de melhora e novo fôlego tanto para as empresas integradoras como os produtores. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, salienta que o mercado do milho deve arrefecer nos próximos três meses. "O que vemos é um mercado internacional bem suprido, e ninguém compra para ficar armazenando. O mundo está abastecido e os estoques estão dentro da normalidade".
Na opinião de Martins, o agronegócio brasileiro necessita de uma estratégia bem definida. Para ele, é melhor exportar a carne, com valor agregado, do que apenas a commodity. "Precisamos preservar o emprego e toda a movimentação de uma cadeia. Se exportamos apenas o milho, privilegiamos só o emprego de quem plantou e colheu. Felizmente, agora estamos sendo supridos pelas cooperativas e os preços da saca de milho já estão em patamares bem melhores do que há 45 dias, quando estavam na estratosfera".
O presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Jacir José Dariva, confirma que os preços da saca de milho no balcão já estão mais baixos, mas que o suinocultor continua com dificuldades de adquirir o produto. "Não há disponibilidade, principalmente para os produtores independentes, que não são integrados a nenhuma empresa. Até no Oeste, onde geralmente os suinocultores são autossuficientes, há dificuldades. Já enviamos um documento à Conab para que o governo interfira rapidamente neste assunto, caso contrário teremos dificuldades muito grandes no segundo semestre todo".


