Curitiba - Enquanto o mundo discute utilização de fontes energéticas renováveis e mais limpas, o Paraná tem ''em mãos'' um potencial grande ainda não explorado. Atualmente, a potência energética instalada do Paraná é de 4,5 mil Megawatts (MW), produzida pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) em 18 usinas, sendo 17 delas hidrelétricas. O número corresponde a 7% de toda eletricidade consumida no Brasil. Esse número poderia ser quase dobrado com a exploração dos ventos, uma matéria-prima abundante em algumas partes do Estado.
Um estudo realizado pela própria Copel em 1999 e transformado no Atlas do Potencial Eólico do Paraná, em 2007, mostra que o Estado poderia estar gerando 3,4 mil MW de energia processada do vento. Hoje, apenas a Usina Eólica de Palmas explora a fonte de energia - limpa, inesgotável e com mínimo impacto ambiental - para a produção de 2,5 MW. Além da região no Sul do Estado, Campos Gerais, Guarapuava e a Serra do Mar também são áreas indicadas como promissoras para implantação de usinas eólicas no Paraná.
Segundo o meteorologista do Instituto Tecnológico Simepar, Leonardo Calvetti, o ambiente ideal para instação de uma planta geradora tem ventos constantes a uma velocidade acima de 5 metros por segundo. Na opinião dele, o território paranaense não oferece a possibilidade de instalação de grandes usinas, mas defende que a exploração econômica das regiões que têm ventos favoráveis, ainda que em plantas menores, é viável.
Dario Jackson Schultz, da Coordenação de Energia Renovável da Copel e um dos responsáveis pelo Atlas, explica que o custo de instalação de uma usina eólica é praticamente o mesmo de uma usina hidrelétrica. No entanto, a tecnologia que transforma água em energia tem um aproveitamento melhor, ou seja, gera mais energia com o mesmo investimento. Por isso, o custo da energia é menor na usina hidrelétrica.
''É interessante investir em energia eólica também. Primeiro, porque é uma fonte de energia renovável. Segundo porque, para a instalação de suas plantas, não há necessidade de remover a população de uma região, ela convive tranquilamente com a agropecuária. Além disso, a Copel tem a intenção de diversificar suas fontes''.
De acordo com Schultz, a companhia já tem projetos prontos para instalação de usinas nos locais apontados como potencial de exploração. Para serem implementados, a estatal precisa obter o licenciamento ambiental com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) - expectativa de seis meses a um ano - e vencer algum dos leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). O primeiro, e único, leilão do gênero até agora foi realizado no ano passado.
Como funciona
Os aerogeradores tradicionais são equipamentos que transformam energia mecânica em energia elétrica. Eles fazem isso com três pás ao girar uma peça em torno de outra, o que cria um campo magnético entre elas - como dínamos para bicicleta - chamado indução. A energia elétrica é produzida, inicialmente, em corrente contínua e depois transformada em alternada e descarregada na rede pública de distribuição.
Para a instalação de uma usina eólica, é necessário conhecer profundamente o comportamento do vento na área. A medição deve ser feira 24 horas por dia durante um ano. De acordo com Fernando Enercon, gerente da fabricante de aerogeradores Wobben, cada gerador tem capacidade entre 800 MW/h e 2.300 MW/h. ''Uma residência média, com cinco pessoas, deve consumir algo próximo de 250 KW por mês. Um aerogerador funcionando por alguns minutos apenas, gera energia suficiente para abastecer uma casa por pelo menos um mês ou mais'', explica.

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