- Para os setores produtivos, principalmente o industrial, o ano termina alternando pontos negativos e positivos. Como ponto positivo, destacam a extinção do ICMS sobre as exportações. Verificou-se, porém, que o efeito não será tão grande como o projetado, mas, sem dúvida foi benéfico, pela característica de poder pulverizar os resultados, em vez do efeito localizado. Entre os negativos, que são maiores e de maior impacto (estrago), destaca-se a volta do imposto sobre o cheque, o grande retrocesso, que veio disfarçado de contribuição provisória (CPMF). O que mais desaponta, no entanto, é a lentidão e o desinteresse do governo em promover as grandes reformas constitucionais, a fiscal e a tributária, principalmente. E a privatização, igualmente tímid, ficou a quem da expectativa.
- Esse balanço expressando o ‘‘desalento’’ do setor (com o governo) ficou claro ontem com a queixa mais imediata da indústria: a manutenção de prazos reduzidos para recolhimento de impostos. Ontem a Confederação Nacional da Indústria tentou, novamente, negociar os prazos, mas o ministro Malan apenas disse que vai estudar a proposta. Quem não gostou foi o presidente da CNI, senador Fernando Bezerra.
- Apesar das queixas, o clima geral entre o empresariado melhorou, mostra uma pesquisa realizada pelo Ibope junto a 601 industriais, com o patrocínio da CNI. Na pesquisa, 46% das respostas registraram uma melhoria na competitividade e outros 38% uma evolução na estabilidade econômica. Apenas 16% registraram piora na economia. Impostos O prazo elevado para recolhimento dos impostos foi criticado pela CNI. Eles argumentam que o projeto do governo para o IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica), em tramitação no Congresso, piora a situação, pois reduz ainda mais os prazos. O resultado desses prazos é que a empresa se descapitaliza para pagar imposto ou vai ao mercado tomar dinheiro a taxas altas. Esses prazos são incompatíveis com o atual estágio da inflação, pois em muitos casos significa pagar o imposto antes de receber a fatura.
- Mas quem produz e, no caso, exporta, tem outras preocupações como os déficits da balança comercial e do setor público, o que considera a ‘‘parte mais fraca’’ do quadro econômico. Essas são as duas fontes de preocupação permanente, os dois desafios para a estabilidade permanente. Para o presidente da CNI, o déficit comercial não é tão problemático, pois não há dificuldades no seu financiamento. Com relação ao déficit público, as previsões da CNI para o ano de 1997 são otimistas: deve ser menor que os pelo menos 4% do PIB que devem ser registrados neste ano. No mais, resta o consolo de que pelo menos a inflação foi mantida sob controle, mesmo sabendo que o preço que se paga por isto é a falência da agricultura.

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