A liberação do câmbio mudou completamente os rumos da política econômica. Se antes da desvalorização a principal preocupação do governo era defender o valor do real, agora o esforço todo é para evitar a volta da inflacão. Os juros continuam elevados, mas o objetivo é controlar o câmbio e segurar os preços. O novo acordo com o FMI faz parte desse cenário, tendo como meta o ajuste fiscal.
A divulgação do acordo e a posse de Armínio Fraga na presidência do Banco Central melhoraram o humor do mercado nos últimos dias, mas, mesmo assim, o cenário para o investidor continua o mesmo. Os especialistas lembram que persistem muitas dúvidas e por isso recomendam cautela. O mais indicado é continuar dando preferência aos fundos de renda fixa DI, que seguem a oscilação das taxas de juros. As Bolsas devem ficar expostas a oscilações e são opção apenas para prazos longos.
O diretor de Análise Econômica do Banco BMC, Marcelo Allain, diz que a principal razão para a melhora do humor do mercado foi a divulgação de que o governo tem mais de US$ 8 bilhões para controlar o câmbio até junho. Mas isso é apenas algo transitório, que deve servir como ponte até que o fluxo de dólares seja retomado.
Segundo o diretor-responsável pela HSBC Asset Management, Luís Eduardo de Assis, esse é um dos dois principais desafios do País. Ele aposta que o ingresso de dólares começará a aumentar em breve, primeiro pela renovação das linhas comerciais e depois pela emissão de títulos no exterior por empresas e pelo governo. O outro desafio é evitar a reindexação dos salários.
O chefe do Departamento de Análise da Hedging-Griffo Asset Management, Enio Shinohara, diz que, há alguns dias, o mercado tinha duas dúvidas principais: quais seriam as metas econômicas que o governo perseguiria depois da desvalorização e se elas seriam atingidas. Ele diz que a primeira dúvida não existe mais, já que a equipe econômica optou por divulgar com transparência total as metas e indicativos com que trabalha para os próximos três anos, mas a segunda persiste. É por isso que ele recomenda cautela ao investidor.

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