A dura tarefa de cortar os gastos
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sexta-feira, 25 de junho de 2004
Agência Estado 
São Paulo - Rever e controlar o orçamento doméstico é fundamental em situações críticas, quando a família perde o controle dos gastos. O desemprego, um imprevisto ou mesmo a má administração da renda podem levar a família a ter de rever suas despesas e fazer alguns sacrifícios para atingir o equilíbrio financeiro - ou seja, compatibilizar a renda e as despesas.
O desemprego do marido fez com que a professora Tercília Bernadete Sanches Costa percebesse a necessidade de rever o orçamento doméstico. As primeiras atitudes já foram tomadas há alguns meses. ''Cereais, biscoitos, refrigerantes e iogurtes já não entram no carrinho de supermercado'', conta ela. O telefone também virou alvo de controle. ''Usar a internet, só a cada quinze dias. E os interurbanos também estão suspensos, a não ser em caso de emergência'', explica ela, que mora em Piracicaba, mas tem a família em São Paulo. ''Espero que eles me telefonem.''
Agora chegou a hora de fazer mais cortes no orçamento. ''Por um tempo o dinheiro do Fundo de Garantia ajudou, mas já não podemos mais contar com isso'', diz ela. Por isso, outras despesas da família tiveram de ser revistas. ''Tive de dispensar a empregada doméstica e renegociar o financiamento do apartamento'', conta. Ela aumentou o número das parcelas e diminuiu seus valores em uma negociação com o banco.
Além disso, o filho mais velho está ajudando com as despesas mensais. ''Ele também quitou o financiamento do meu carro, que eu estava terminando de pagar.'' Somente com esses ajustes, Tercília calcula que conseguiu enxugar o orçamento em R$ 1.500 por mês.
A maior dificuldade, segundo ela, é convencer o filho caçula, André, de 10 anos, de que o aperto no orçamento é necessário. Tirá-lo da escola particular foi uma das soluções encontradas para cortar despesas. ''Ele resistiu à mudança de escola, porque não queria deixar os amigos com quem sempre estudou'', conta. A mudança só não foi necessária porque as tias decidiram arcar com a mensalidade. ''Mas é um gasto que não poderia continuar no orçamento'', afirma Tercília.
André também sente falta dos produtos que saíram do carrinho do supermercado, como o refrigerante. ''Ele reclama se o que temos em casa é um suco, por exemplo. Mas estou tentando explicar para ele que, neste momento, é preciso economizar.''
A reorganização deve partir de avaliação detalhada. O consultor de Finanças Pessoais Ricardo Humberto Rocha recomenda que uma família que decidiu rever o orçamento - seja porque a renda diminuiu, para pagar uma dívida ou para economizar e adquirir um novo bem - avalie os gastos dos últimos dois anos.
''É preciso avaliar quanto foi gasto em moradia, alimentação, cartão de crédito, se o cheque especial foi utilizado e como, contas de telefone, luz, água'', diz ele. A partir desse levantamento a família tem de decidir onde vai cortar gastos, explica o consultor.


