Engana-se quem pensa que a crise financeira dos Estados Unidos não tem nada a ver com a sua vida. Esta afirmação não é verdadeira porque direta ou indiretamente todos os consumidores serão afetados. Isso deve ocorrer porque o dólar, cuja cotação já subiu e apresenta mercado bastante volátil, é referência para o custo de muitos produtos e para negociação de matérias-primas. De imediato produtos importados - como vinhos, azeites, conservas e frutas secas - deverão ficar mais caros. A longo prazo poderá até mesmo haver um aumento do desemprego, provocado pela desaceleração da economia.
O economista Antônio Carlos Moretto, professor da Universidade Estadual de Londrina, afirma que a crise pode provocar um aumento do nível de preços gerais da economia, principalmente, dos produtos importados e de itens que levam matérias-primas importadas em sua composição. Um exemplo são os produtos natalinos que devem ficar mais caros neste ano porque as negociações para entrega estão em andamento, justamente quando o dólar tem apresentado maior apreciação perante o real. Já Charles Vezzozo, professor da Pontifícia Universidade Católica, acrescenta que a crise provoca ''efeito psicológico'' nos empresários.
''Todos ficam inseguros e até mesmo os que não são afetados diretamente com aumento de custos podem subir seus preços no embalo dos outros'', explica Vezzozo. Ele acrescenta ainda que a política econômica adotada pelo Banco Central deve elevar a taxa básica de juros para tentar controlar a inflação. Desta forma, o custo das empresas será elevado, principalmente, das que captaram recursos financiados. Para o consumidor, esta medida afeta diretamente no bolso com o aumento, por exemplo, dos juros do cheque especial, do cartão de crédito e das compras feitas pelo crediário.
O seu conselho é que os consumidores evitem gastos desnecessários neste momento e a não fazer movimentos bruscos em aplicações financeiras. ''Rentabilidade maior deve ocorrer a longo prazo. Aplicações para quem quer retorno a curto prazo é desaconselhável'', observa o professor. Antônio Carlos Moretto lembra que a economia mundial deverá entrar em retração. ''Analistas indicam que a economia mundial vai crescer menos neste ano e no ano que vem, enquanto os países emergentes vão crescer mais do que a média mundial. Para 2010 a previsão é de maior crescimento (da economia) do que em 2009'', explica.
Essa retração econômica, avalia Moretto, já está ocorrendo em vários países uma vez que já houve sinais que indicam queda no Produto Interno Bruto (PIB) da Europa e da China. Neste caso, os dois devem reduzir suas importações e o problema é que estes países são compradores de commodities brasileiras. Se as exportações de fato forem reduzidas poderá haver queda de preços no mercado interno e, em alguns casos, até redução da produção industrial. Produção menor acarreta em desemprego ou, no mínimo, em um freio no aumento do nível de empregos. ''Atualmente cerca de 8% da população economicamente ativa, segundo o IBGE, está desempregada, mas este índice já foi de 14% em 5, 6 anos. (O desemprego) Não deverá aumentar de imediato, leva um tempo'', diz.

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