Duas das maiores redes de supermercados mundiais anunciaram planos ousados para tornarem-se mais sustentáveis. A britânica Marks & Spencer tem grandes ambições: seu plano prevê que a rede será a mais sustentável do mundo até 2015. A empresa anunciou 80 compromissos dentro do seu planejamento de negócios ambientalmente e socialmente responsáveis, o Plano A. Já maior rede de varejo do mundo, a Walmart, assumiu um compromisso de cortar suas emissões em 20 milhões de toneladas de carbono, considerando todas as cadeias de produção ofertadas em suas lojas, o que equivale à redução de 1 vez e meia no total de aumento de emissões projetado pelo grupo em 5 anos. É a maior meta de corte de emissões já anunciada por uma empresa. Só como comparação: representa o mesmo volume emitido por 3,8 milhões de carros em 1 ano.
Um detalhe importante nessas promessas das grandes redes: elas dependem da colaboração dos fornecedores. A M&S pretende garantir que todos os 2,7 bilhões de produtos vendidos em suas prateleiras, desde vestuário até produtos de limpeza, apresentem ao menos um tipo de qualificação com um diferencial de sustentabilidade. Ou seja, apresentem algum tipo de selo, como Fairtrade, orgânico, FSC, MSC ou demonstrem o uso na sua produção de ingredientes mais sustentáveis. De acordo com o Plano A, essa modificação ocorrerá primeiro em 50% da oferta de produtos até 2015 e 100% até 2020.
No caso do Walmart, a maior parte da sua pegada de carbono vem da cadeia de fornecedores (90%) e a empresa anunciou que pretende focar primeiro em setores que podem alcançar um maior volume de reduções mais rapidamente, ao mesmo tempo que podem reduzir custos com esses cortes. Segundo a empresa, esses cortes de custos seriam o estímulo para as ações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Setores que entrariam nesse grupo prioritário de fornecedores são vestuário, alimentos e todos aqueles que consomem muita energia no sistema de produção.
O impacto nas cadeias de produção globais promete ser grande. Tudo depende do balanço entre pressão e estímulos que essas redes farão sobre seus fornecedores. E o Brasil, grande fornecedor mundial de alimentos, sofrerá seus efeitos. A M&S promete que trabalhará para conseguir total rastreabilidade de matérias-primas utilizadas na produção de vestuários e produtos de casa vendidos nas suas lojas, como algodão, lã, polyester, nylon, couro e madeira. Compromete-se também que será o primeiro supermercado mundial a vender somente produtos que utilizam 6 matérias-primas básicas - óleo de palma, soja, cacao, carne, couro e café - que tenham garantia de não causarem desmatamento.
Para ficar de olho
Potencial da biodiversidade -Um workshop realizado semana passada pelo projeto Biota da Fapesp, em São Paulo, colocou em evidência o potencial da biodiversidade brasileira para o desenvolvimento de medicamentos e outros produtos. Durante o encontro foram apresentados dados que mostram que cerca de metade dos compostos químicos descobertos entre 1981 e 2002 tiveram origem em produtos naturais. O País, que abriga cerca de 20% da biodiversidade mundial, está em uma posição privilegiada como fornecedor de novos químicos.
Para saber mais
Construção sustentável - Como tornar uma construção já pronta mais sustentável? Jerry Yudelson, consultor americano e um dos maiores especialistas na área, acaba de lançar um manual que busca orientar construtores, empresários e proprietários em geral na tarefa de reduzir o impacto das suas propriedades. O livro ''Greening Existing Buildings'' pode ser encontrado no site: http://www.greenbuildconsult.com/books/info/greening-existing-buildings/
* Fátima C. Cardoso é jornalista, com Pós-Graduação em Ciência Ambiental, e especialista em assuntos ligados à sustentabilidade e responsabilidade socioambiental.

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