Curitiba - As negociações entre supermercados e fabricantes de açúcar chegaram a um impasse: ou os supermercados pagam o preço imposto, em média com alta de 70%, ou os usineiros vão exportar o produto, já que a demanda no mercado externo está elevada. Quem paga a conta dessa situação são os consumidores que estão indignados com o preço do produto nos supermercados. Eles estão variando de R$ 1,13 a R$ 1,36 o quilo, quando há cerca de dois meses o preço oscilava entre R$ 0,60 e R$ 0,70.
Para o superintendente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Valmor Rovaris, os supermercados estão sem alternativas porque não há substituição para o açúcar como acontece com outros produtos. ''Isso exigiria uma mudança de hábito por parte do consumidor'', salientou. O resultado do impasse é que muitos supermecados que não concordam em pagar o reajuste estão ficando sem o produto nas prateleiras, disse.
Rovaris explicou que os supermercados não costumam trabalhar com estoques de açúcar, em função do volume elevado na movimentação do produto. ''Quando as negociações emperram, o produto falta nas gôndolas'', afirmou. Por outro lado, ele não vê outro espaço de manobra para os supermercados como recorrer à compra de açúcar em pequenas usinas.
Segundo o superintende da Apras, o mercado é dominado por quatro ou cinco marcas e não existem pequenas empresas com condições de atender ao volume de demanda nos supermercados. ''A única alternativa que vejo para a dona de casa reduzir o consumo é fazer menos doces e bolos'', disse.
De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, as usinas reajustaram o preço do açúcar cristal em 84,6% nos últimos sete meses. O produto era negociado por R$ 21,43 a saca de 50 quilos no início de abril e, até a semana passada, estava sendo ofertado por R$ 39,55 o mesmo volume. Esse aumento ocorreu em decorrência do aquecimento no comércio internacional. Os preços estão firmes por causa de quebra de safra de cana-de-açúcar em países produtores e o dólar valorizado acabou tornando atraente a venda da mercadoria no mercado externo.
O açúcar refinado está cotado a US$ 203 a tonelada no mercado externo, o que corresponde a US$ 0,71 o quilo. No mercado interno, as cotações ainda não atingiram essa paridade, por isso as usinas estão priorizando as exportações e não as vendas locais.

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