A cada dia 'nascem' 10 empresas em Londrina
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Renato Oliveira<br>Reportagem Local 
Abrir um negócio. Muitos sonham com o dia de gerenciar sua própria empresa, mas é preciso cautela para ele não se tornar um pesadelo. Ter uma boa ideia é fundamental, mas também é importante procurar uma consultoria e fazer uma boa pesquisa de mercado.
Foi assim que Caio Araújo procedeu antes de abrir uma casa de carnes, não um daqueles tradicionais açougues, mas uma opção para quem resolveu fazer um churrasco de última hora. Ele tinha uma ideia de negócio que poderia dar certo. E a pesquisa de mercado ajudou a esclarecer algumas questões.
''Eu precisava saber de algumas direções que poderia tomar e se a ideia era realmente viável. Também tinha que analisar a vantagem de vender um tipo de produto ou outro e até estudar o tipo de atendimento'', explica o empresário que desde março administra o Master Grill, seu primeiro negócio, e utilizou a pesquisa para montar a empresa não só pela sua intuição.
Um antigo sonho e a estabilidade do mercado influenciaram Marco Sena, há dois meses, a abrir uma panificadora. Situada na Avenida São João, na Zona Leste, ele não fez uma pesquisa de mercado, mas foi em busca de informações antes de arriscar. Como é o seu primeiro negócio na área, visitou junto com sua esposa quase todas as padarias da cidade para ter uma noção. ''Por isso, eu demorei uns seis meses procurando por um ponto (comercial) e tentando me informar direito antes de abrir. Tanto que eu demorei seis meses para encontrar o prédio e fazer a instalação'', explica.
Araújo e Sena estão entre os 3.450 empreendedores formais, que até dezembro do ano passado abriram suas portas no comércio. De acordo com levantamento da FOLHA (obtido junto à Secretaria Municipal de Fazenda, cujo número é menor que o da Junta Comercial do Paraná), uma média calculada sobre o total de empresas abertas aponta que quase dez nascem por dia. Com relação ao ano anterior houve uma redução de 5% no número de novos empreendimentos (veja quadro). ''A estabilidade e o crescimento da economia tem influência sobre esse aumento. Mesmo com os rumores da crise o bom momento ainda produz reflexos'', avalia Denilson Vieira Novaes, diretor de Tributos da Secretaria da Fazenda.
Mas os rastros da crise econômica mundial já chegaram a Londrina. O desempenho do mês de dezembro foi de 268 novas empresas e está abaixo da média anual. O último trimestre manteve a média abaixo dos mil novos empreendedores, superada apenas no terceiro trimeste com 1083 ocorrências. ''O desafio do empreendedor é saber onde está a demanda, afinal 60% do total são microempresas'', analisa Novaes.
E caso a desaceleração avance com mais expressividade 2009 adentro, a geração de empregos vai sofrer reflexos consideráveis porque as micro e pequenas empresas geram cerca de 28,7 milhões de vagas no Brasil, segundo Simone Millan Shavarski, consultora do Sebrae-PR. ''Elas são fundamentais para o mercado. Há uma perspectiva de crescer, porque de acordo com nossas pesquisas muitos têm deixado os empregos formais e aberto um negócio'', considera Simone.


