A briga dos lácteos
O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, anunciou ontem que técnicos do Departamento de Inspeção Sanitária a Produtos de Origem Animal estarão na Argentina no próximo dia 27 para inspecionar estabelecimentos que exportam leite e produtos lácteos para o Brasil. Em poucas horas a Argentina reagiu (veja nota nesta página) afirmando que a medida é ‘‘retaliação comercial’’. As divergências agitam o Mercosul, de novo. As divergências entre os dois países na questão dos lácteos não é nova; apenas era disfarçada. A Argentina faz triangulação com leite a UE e isto pode ser agravante.
-O objetivo da inspeção, segundo o ministro, em entrevista à Agência Estado, repórter Gecy Belmonte, é verificar se as regras de qualidade estão sendo cumpridas pelos exportadores argentinos. A inspeção acontece no momento em que a Argentina está impondo restrições à entrada de calçados brasileiros no mercado argentino, exigindo licença prévia de exportação e certificado de qualidade que demoram mais de dois meses para ser expedidos.
-Pratini afirmou que a decisão de enviar fiscais à Argentina ‘‘não é uma retaliação’’ às restrições impostas à entrada de calçados brasileiros naquele país. Segundo o ministro a inspeção é apenas uma medida em defesa do consumidor brasileiro. ‘‘Estamos aplicando as mesmas exigências que os fabricantes de produtos brasileiros estão obrigados a cumprir’’, argumentou. ‘‘Isso é mera coincidência’’, afirmou ele, referindo-se ao fato de a inspeção brasileira ocorrer justamente no momento em que a Argentina impõe restrições a produtos brasileiros.
-O ministro disse que está seguindo orientação do presidente Fernando Henrique Cardoso no sentido de proteger a agricultura brasileira. Pratini observou ainda que a inspeção sanitária a ser feita por fiscais brasileiros nos estabelecimentos argentinos que exportam leite e produtos lácteos para o Brasil está entre as exigências previstas na Portaria nº 183, de 9 de outubro de 1998, que não vinham sendo cumpridas porque essa mesma portaria dera um prazo de 180 dias para que os exportadores argentinos prestassem informações ao governo brasileiro sobre seus produtos.
-As autoridades argentinas do setor de controle sanitário foram avisadas segunda-feira sobre a inspeção. Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira, o Departamento de Inspeção a Produtos de Origem Animal recebeu os questionários enviados pelos estabelecimentos argentinos sobre a qualidade dos produtos lácteos que exportam para o Brasil e que esses documentos estão sendo processados. As informações contidas nas respostas aos questionários são exigidas pela Portaria 183, de 9 de outubro de 1998.
-Segundo Oliveira, os estabelecimentos argentinos que serão inspecionados pelos fiscais do Departamento, na Argentina, serão escolhidos com base no resultado do processamento.



Milho/alta
O indicador de milho, no atacado paulista, calculado pela FGV/BM&F, ficou em R$ 10,95/saca (+1,96%). Em dólar, US$ 5,82 (+2,46%). O valor a prazo ficou em R$ 11,25/saca (+1,82%). Nos quadros abaixo, preços pagos ao produtor no PR.
Soja/Paraná
O indicador de Preços da Soja Esalq/BM&F ficou em R$ 20,84/saca (-1,98%). Em dólar, US$ 11,09/saca (-1,33%). O Indicador é calculado pela Esalq com base nos preços praticados no mercado disponível em cinco praças do Paraná.
Boi SP
A arroba de boi gordo ontem aos R$ 35 em algumas regiões de São Paulo, conforme a FNP Consultoria & Comércio e da Scot Consultoria. A oferta de gado é escassa e a alta chegou ao atacado: dianteiro foi negociado a R$ 2,80.
Boi 2
Em outra fonte de informação, o preço à vista do boi gordo ficou
em R$ 34,15/arroba (+0,71%). Em dólar, US$ 18,16 (+1,34%). A prazo, R$ 34,82 (+0,78%). Os dados são da Esalq/USP. Veja nos quadros, preços no Paraná.
Café SP
O valor à vista em reais do indicador do café Esalq/BM&F teve queda de 2,18%, ficando em R$ 146,69 a saca de 60 Kg. Em dólar, o preço caiu 1,58% e ficou em US$ 78,03/saca. A prazo, a cotação ficou em R$ 147,99/saca, queda de 2,17%.

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