A bolha rodoviária
Ex-presidente da associação nacional que representa as empresas de transporte e logística, a NTC&Logística, e atual conselheiro da entidade, Geraldo Vianna, cunhou a expressão "bolha rodoviária" para definir o mercado de caminhões nos últimos anos. Segundo ele, para agradar à indústria automotiva e manter os empregos dos metalúrgicos, o governo federal exagerou nos incentivos por meio do BNDES. "Saímos de um patamar de 80 mil caminhões vendidos por ano para mais de 130 mil nos últimos cinco anos. Não é que as vendas tenham caído em 2015. Elas estão voltando ao normal", alega. De acordo com Vianna, o mercado de transporte brasileiro não precisa de mais de "70 ou 80 mil" caminhões novos por ano.
Na opinião dele, enquanto o Brasil não voltar a crescer, não haverá reaquecimento das vendas. "Primeiro, porque o transportador não tem dinheiro e nem crédito. Está endividado. Quem tem dinheiro e crédito, não tem motivos para comprar", diz ele, ressaltando que a demanda de carga está menor que a oferta de caminhões.
Vianna diz que as entidades representativas do setor estão negociando com o BNDES um programa de refinanciamento dos atuais contratos para as empresas de transporte. "Estamos diante de um grande problema. Não só estamos com um número excessivo de caminhões no mercado, como vemos um grande endividamento. Para muitos, a capacidade de honrar o financiamento é duvidosa", alega.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga do Paraná (Setcepar), Gilberto Cantu, concorda que muitas empresas compraram caminhões "além da conta" nos últimos anos, devido aos incentivos para financiamento. "Não sei se nesse nível (de que fala Vianna), mas compraram mais do que precisavam", afirma. Isso, na visão dele, ajuda a explicar a queda do mercado neste ano. "Agora está sobrando caminhão durante a crise", destaca.
Na empresa de Cantu, o movimento caiu entre 30% e 40% no segmento de transporte de peças automotivas e cerca de 10% no de embalagens. "Estamos numa indefinição política muito grande no Brasil. E enquanto não houver uma solução na política, não temos expectativas de reaquecimento do mercado", alega. (N.B.)





