À beira do 'calote', Cavallo vai aos EUA
O ministro argentino da Economia, Domingo Cavallo, deu ontem a sua última e decisiva cartada, desembarcando em Washington para tentar convencer o Fundo Monetário Internacional (FMI) de que a Argentina não cometerá mais os deslizes fiscais que foram sua marca registrada no passado.
Com esta ida organizada às pressas, Cavallo espera receber em troca o empréstimo de US$ 1,26 bilhão que o FMI decidiu, na quarta-feira à noite, adiar por tempo indeterminado. Sem o empréstimo o país poderia cair em default antes do fim deste mês ou na virada do ano, de acordo com a capacidade de ''engenharia contábil'' do governo.
A Bolsa de Buenos Aires voltou a disparar, mas não por otimismo. Os investidores argentinos estão migrando para as ações como fuga de uma eventual desvalorização do peso, ou ainda para investir em ADRs e, consequentemente, ter ativos dolarizados. O índice Merval fechou com alta de 10,58%.
Além de negar mais recursos para a Argentina, o FMI disse ontem, através de seu porta-voz, Thomas Dawson, que as medidas tomadas por Domingo Cavallo no último fim de semana são lamentáveis e que as autoridades argentinas sabem disso.
Cavallo deveria negociar a desvalorização do peso, ou a desvalorização seguida da dolarização ou só a dolarização, segundo rumores do mercado em Buenos Aires.
Dependendo das exigências do FMI e da aceitação das mesmas pelo governo, Cavallo permanecerá ou não em seu cargo. Caso não tenha sucesso nos Estados Unidos, o país se depararia com as alternativas da desvalorização da moeda ou de dolarização da economia.
Cavallo disse que ''as portas com o FMI não estão fechadas'' e que ''continua trabalhando na preparação de um programa''. Além disso, afirmou que o governo incluirá na operação de reestruturação da dívida pública as dívidas que o país possui com os organismos internacionais de créditos, como o FMI e o Banco Mundial, ao redor US$ 28 bilhões.
O presidente De la Rúa e diversos de seus ministros insistiram ao longo do dia que o governo não aplicaria nem a desvalorização nem a dolarização e confirmaram a permanência da conversibilidade econômica, que em 1991 estabeleceu a paridade um a um entre o peso e o dólar.





