A Banda flexível do álcool (Oswaldo Petrin)
Oswaldo Petrin
A Banda flexível do álcool
-Toda chance de aumentar o mercado de álcool é valido para as usinas. Esta é a opinião geral do setor, diante das mudanças que estão por acontecer. A semana que entra será decisiva para o setor. Uma nova lei, que fica pronta na próxima semana, aumenta o porcentual de mistura de álcool anidro à gasolina e traz uma inovação: é a banda flexível para o processo de adição, ou seja, não estabelecerá limite máximo para a mistura.
-O presidente FHC vai assinar a medida (decreto) estipulando uma mistura de 24% de álcool anidro à gasolina. A regra para a mistura também deverá seguir a legislação atual para a adição de 22%. Esta regra permite uma variação de 1% para mais ou menos. Com isso, a mistura poderá ser de 21%, no valor mínimo, e 25% no máximo, considerando o decreto que fixará a mistura inicial em 24%.
-Conforme a Agência Estado, esta semana, o governo decidiu avaliar a criação de uma banda flexível em função do avanço da própria tecnologia do álcool que, a cada dia, pode permitir porcentuais de adição maiores. Assim, considerando a própria oferta de álcool e os impactos ambientais, o governo poderá trabalhar com esta banda, reduzindo ou ampliando a adição, sem criar nova legislação cada vez que isso for necessário.
-Muitas discussões para estimular o álcool, rolaram esta semana sem a participação dos produtores. Agora eles resolveram encontrar uma forma de participar: estão se mobilizando - no Estado de São Paulo - para negociar com o governo uma política de reestruturação do setor. Na próxima semana, um grupo de produtores da região Centro-Sul vai entregar ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, uma pauta de sugestões para resolver os problemas que enfrentam. As destilarias querem que o governo retome o papel de intermediário no processo de venda entre as unidades produtoras e estabeleça novas regras para a comercialização do produto para as distribuidoras.
-As usinas defendem o restabelecimento do sistema de cotas individuais na distribuição dos volumes para comercialização entre as usinas, e a volta do modelo de balcão, que foi usado pelo governo para arbitrar a venda do produto entre as produtoras e as distribuidoras, suspenso no ano passado com o início da desregulamentação do setor. Na prática, esses produtores querem revogar os contratos particulares já assinados para a safra deste ano, quando aceitaram vender sua produção com deságio de até 30%.
-Os produtores também deverão reclamar ao ministro da inviabilidade de arcar com os custos de carregamento dos atuais estoques de passagem, que hoje somam 2 bilhões de litros de álcool e deverão aumentar em 1 bilhão de litros na safra deste ano. Devem se queixar ainda da dificuldade existente na comercialização do álcool produzido nas pólos mais distantes dos centros de maior consumo. Segundo uma fonte que acompanha o setor, a idéia é conseguir do governo uma linha de crédito para financiar esse excedente, cujo custo estimado é de R$ 800 milhões (AE).Gigantes
A Monsanto, líder mundial em biotecnologia, fez dois grandes negócios esta semana: comprou a DeKalb Genetics e a Delta & Pine Land, e assinou joint venture com a Cargill, líder mundial da agroindústria, para desenvolver grãos geneticamente modificados.
Agregado
O convênio foi considerado um avanço na produção de matéria-prima para as indústrias de alimentos e de ração. Contempla uma parceria desde a pesquisa biotecnológica até o processamento final do produto. Valor agregado.
O presidente
A parceria Monsanto-Cargill é um marco na forma como nossos clientes vão agregar maior valor por meio dos benefícios de safras melhoradas com a biotecnologia, disse o presidente mundial da Monsanto, Robert Shapiro.
A Monsanto
A Monsanto, que recentemente adquiriu a Agroceres Sementes, é empresa de altíssima tecnologia; atua em genética vegetal e saúde; fatura US$ 7,5 bilhões/ano. Tem cerca de 22 mil funcionários em todo o mundo.
A Cargill
A Cargill, US$ 60 bilhões de vendas no ano passado, produz sementes e industrializa derivados vegetais. Está presente em 72 países e tem cerca de 70 mil funcionários. Quer melhorar a qualidade dos alimentos e da ração animal.





