'A atual crise se parece com a de 29'
Nem mesmo o marxista e professor de economia da UEL, Sinival Pitaguari, acredita que o capitalismo irá acabar devido à atual crise. Ele considera que o modelo neoliberal é que foi posto em xeque. E, por isso, o capitalismo terá de se restruturar. ''O capitalismo tem contradições indissolúveis, como apontou Karl Marx há um século e meio. E vive de modo cíclico alternando períodos de crescimento e de crise'', declara.
Para Pitaguari, o que vai acontecer em breve é uma volta ao Estado keynesiano. John Maynard Keynes foi um economista inglês que teorizou sobre o modelo forte e intervencionista de Estado, que vigorou nos países capitalistas dos anos 30 até os 70. Para tirar os Estados Unidos da Grande Recessão que teve início em 29, o presidente Franklin Roosevelt aumentou o poder do Estado, investindo pesadamente para dinamizar a economia.
Pitaguari não tem dúvida. O modelo neoliberal, que teve início na Inglaterra e nos Estados Unidos no início dos anos 80, foi a razão da crise de 2008, por ter retirado do Estado quase todo o poder sobre o mercado. ''A atual crise se parece muito com a de 29. O presidente americano que estava no poder naquela época (Herbert Hoover, antecessor de Roosevelt) não moveu uma palha para conter a crise, que se agravou e se espalhou pelo mundo, gerando desemprego.''
Embora afirme acreditar que o Estado capitalista voltará a se fortalecer, ele se questiona sobre quais forças políticas terão condições de colocar um freio no mercado financeiro. ''Marx já havia previsto que o processo de acumulação financeira se descolaria da economia real, com a criação de um capital fictício. Mas isso não dura para sempre, um dia a bolha especulativa estoura. Foi o que aconteceu'', considera.
Assim como Cenci, Pitaguari acredita que a crise europeia é diferente. ''Os Estados europeus que não se renderam ao neoliberalismo estavam endividados demais, limitando muito a capacidade de fazer investimentos fiscais para gerar empregos'', justifica.
Ele vê como agravante o fato de, com exceção da Inglaterra, a Europa ter moeda única. ''Isso tirou dos europeus a possibilidade de fazerem política monetária expansionista, o que tornou-se um problema grave'', salienta. (N.B.)





