A arte de se fazer a clássica roupa masculina
Nas décadas de 60 e 70 eles eram muitos em Londrina. Em 2009, restam apenas 10 a 12 profissionais, no máximo. Destes poucos alfaiates - costureiros especializados em criar artesanalmente roupas masculinas - Aparecido Marques de Lima mantém a tradição por 34 anos em sua alfaiataria no Edifício Julio Fuganti. ''Para fazer um trabalho fino leva-se muito tempo. Foram cinco anos de aprendizado mais cinco de aperfeiçoamento'', relata.
Não é difícil entender o porquê. Segundo o alfaiate, para se fazer um terno sob medida são necessárias, no mínimo, três provas. Toda a costura interna do paletó (o caseado) é feito a mão, e cada botão leva pelo menos dez minutos para ser pregado com perfeição.
Mas esta ainda não é a parte mais difícil. ''Costumo levar mais de duas horas para pregar uma manga. É a parte mais delicada, pois qualquer ajuste milimétrico aparece'', conta Lima. Por isso, seu prazo de entrega costuma ser de dez dias, fora os ajustes que virão com a prova. É aconselhável que se mande fazer o terno com 30 dias de antecedência, dependendo da necessidade. Cada um custa R$ 400 e com colete, R$ 500.
Ele admite que nunca lhe faltam clientes: muitos vão lá há 30 anos e trazem a geração de filhos e netos para confeccionar ternos. Neste caso, o cliente leva o tecido e precisa responder algumas perguntas antes de tirar as medidas. Por exemplo: a calça é com ou sem pregas; o terno será justo ou mais folgado; qual quantidade de botões e as aberturas no paletó. ''Enquanto isso a gente vai estudando o corpo do cliente. Nada pode estar fora do lugar'', diz o alfaiate com firmeza nas palavras - e nas mãos. (P.R.)





