Mais ou menos como um quebra-cabeça é o estado em que chegam ao Hospital dos Brinquedos as bonecas, ursinhos de pelúcia e carrinhos de controle. Às vezes falta uma perna, outras, os olhos. Alguns já não ''falam'' mais, e a maioria aparece suja de dar dó. Brinquedo novo é sempre sinônimo de alegria para as crianças. Mas, muitas delas, que encontram no centro da cidade uma loja especializada em reformas de brinquedos, querem apenas ver seus objetos funcionando novamente.
Para alguns adultos, que também se rendem às possibilidades de ''dar vida'' aos seus brinquedos de estimação, o lugar traz de volta a alegria e a lembrança de bons momentos da infância, quando eles têm em mãos os objetos novinhos em folha.
''Tem cliente que nem acredita que aquele brinquedo velho e sujo que ele trouxe pôde ter ficado tão bonito de novo'', diz Maria José Sanches Petrelli, proprietária do Hospital de Brinquedos. Em média, são reformadas 50 bonecas e ursinhos por mês e quase 50 carrinhos de controle remoto ou carrinhos elétricos. Fora os brinquedos importados, os quais são difíceis de encontrar peças, são reformados quase todos os produtos que chegam na loja. ''Na medida do possível a gente conserta quase tudo o que aparece'', pondera. O custo varia de R$ 3 a R$ 60, dependendo do problema e do tamanho do brinquedo.
As bonecas, avalia Maria José, chegam geralmente sem os olhos ou pernas e braços, e quase sempre sujas. Algumas são peças de estimação, antigas, com até 25 anos. Há aquelas, segundo ela, mais novinhas, que as meninas levam pra escola e os amiguinhos quebram. ''Damos um banho, penteamos o cabelo, colocamos as peças que faltam e elas ficam ótimas'', diz. Em algumas até a cabeça é substituída. Um mudança dessas custa em média R$ 30.
Para as bonecas que andam, cantam, batem palminha ou são ''dotadas'' de alguma performance, mas foram danificadas, a dona do Hospital afirma que eles fazem o brinquedo funcionar novamente. Nos ursinhos de pelúcia, o tratamento não é muito diferente. Eles são lavados, penteados e alguns têm as peças eletrônicas substituídas. ''Eles chegam detonados, mas voltam novinhos'', garante
Já os meninos levam para o Hospital, os carrinhos de controle remoto, que na maioria das vezes precisam de peças novas. Alguns precisam apenas ser montados, pois os pequenos desmontam o brinquedo e não sabem reconstituí-lo. ''Às vezes o produto tem problema com a oxidação das pilhas ou simplesmente desgaste por causa do mau uso'', explica Maria José. Nos carros elétricos, usados por crianças de 2 a 10 anos, falta de carga na bateria ou danos no motor são quase sempre os problemas apresentados.

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