97% dos acordos trabalhistas superam inflação
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quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Andréa Bertoldi <br> <br> Reportagem local 
Curitiba - Um levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostrou que 97% das 370 negociações salariais realizadas no primeiro semestre do ano ficaram acima da inflação. Este foi o melhor resultado desde 1996, quando começou a pesquisa. No Paraná, este número foi de 93,5%. Os trabalhadores conseguiram um ganho positivo mesmo em meio à crise internacional e à desaceleração que a economia brasileira sofreu nos primeiros seis meses do ano. O Paraná teve 31 acordos, respondeu por 8,4% do total e ficou na quarta colocação perdendo apenas para São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
A média de aumento real no primeiro semestre foi de 2,23% neste ano, contra 1,31% no mesmo período do ano passado. O resultado dos seis primeiros meses do ano também superou o mesmo período de 2010 quando o aumento real chegou a 1,50%. Na Região Sul, o aumento real médio foi de 2,12% no primeiro semestre contra 1,33% no ano passado. No Paraná, a média foi 2,38%, maior que a média nacional.
O economista do Dieese, Sandro Silva, disse que os principais fatores que contribuíram para isso foram a ação sindical e a redução da inflação que atingiu 5,78% no primeiro semestre de 2012 contra os 6,82% no mesmo período do ano passado.
Além disso, contribuíram para o bom resultado deste ano o aquecimento do mercado de trabalho que continua gerando emprego, além da queda da taxa de desemprego. ''Isso ajuda a conseguir aumentos salariais maiores'', declarou. Neste ano, o salário mínimo nacional também foi uma mola propulsora, já que teve reajuste de 14%, sendo 7,5% de aumento real. O piso regional do Paraná também contribuiu com aumento total de 10,30%.
Apenas duas campanhas salariais (0,5% do total) tiveram reajuste abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Houve ainda ganhos reais considerados expressivos. Pelo menos 37% dos reajustes que ficaram acima da inflação tiveram ganho real entre 2% e 3% e outros 14% tiveram ganho real acima dos 4%.
Setores
Os trabalhadores da indústria obtiveram os melhores resultados nas negociações. O índice de reajustes com ganho real (acima da inflação) alcançou 98% das categorias. A maior faixa de reajustes foi a de ganhos entre 2% e 3%, obtida por 37% das categorias. Silva explica que isso acontece porque o setor industrial tem uma concentração maior de trabalhadores em poucas empresas, o que gera um poder maior de mobilização e ajuda a conquistar reajustes maiores. A indústria registrou o maior número de acordos (164) com 44,3% do total.
O comércio também alcançou ganhos reais em 98% de suas negociações, entretanto, a maior faixa atendida (44%) ficou entre 1% e 2%.
Nos serviços, os reajustes acima da inflação foram alcançados por 94% das categorias. A maior faixa de ganhos reais (31%) também ficou entre 1% e 2%. Neste setor, no entanto, houve o maior percentual de ganhos reais acima dos 5%, que atingiu 15% das categorias.
Para o segundo semestre, ele acredita que possa ampliar o volume de acordos com aumento real. Isso porque neste período há categorias expressivas que têm data-base como bancários, metalúrgicos e petroleiros. Além disso, há uma expectativa de retomada da economia brasileira com as medidas recentes adotadas pelo governo federal que envolvem redução de juros, desoneração de impostos e novos investimentos. Segundo ele, tudo isso representa ''um cenário mais positivo para as negociações salariais''.



