Rio de Janeiro - O impacto da crise financeira é considerado inevitável por praticamente todas as empresas brasileiras. Levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) feito com base em dados da Sondagem da Indústria da Transformação mostrou que das 1.112 companhias pesquisadas em novembro, 97% acham que serão afetadas de alguma forma. A maioria (62%) acredita que o impacto será moderado, enquanto 21% esperam um choque intenso.
O resultado da pesquisa é preocupante, na análise do coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV, Aloisio Campelo. ''Podemos dizer que praticamente não há empresas imunes ao cenário de crise'', afirmou o economista, que ainda não considera o quadro extremamente dramático, levando em consideração que 14% das empresas afirmaram esperar um ''impacto suave''.
Entre os segmentos que apostam em impacto mais intenso da turbulência financeira estão os de produtos de material plástico para uso industrial (85% das empresas pesquisadas); e celulose e pasta mecânica (77% das companhias).
Campelo vincula os setores que estimam consequências mais negativas à dependência do mercado externo. É o caso, também, das indústrias de produtos metalúrgicos para construção (63%); e das indústrias de equipamentos industriais para instalações hidráulicas e térmicas (72%).
Em contrapartida, os setores mais voltados ao mercado interno são os que apresentam o maior número de empresas pesquisadas que apostam em uma influência ''suave'' da crise em seus negócios. É o caso de papel e artefatos para uso pessoal (69%), e da indústria de preparação do leite e fabricação de laticínios (61% das empresas pesquisadas).
Campelo comentou ainda que, de maneira geral, os produtores de alimentos destinados mais para o mercado interno são os menos preocupados com a crise. Entretanto, a indústria de produtos alimentares voltados à exportação, como abate de animais por exemplo, não contam com o mesmo comportamento.
É o caso da indústria de abate de animais e de conserva, setor que contou com 58% das empresas pesquisadas prevendo impacto intenso da crise atual em seus negócios; e 41% das companhias entrevistadas antecipando consequências ''suaves'' da crise.

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