São Paulo - Perto de 880 mil brasileiros são clientes de planos de saúde que estão sob intervenção da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No momento, a agência mantém fiscais em 44 operadoras de todo o país. Esses planos apresentam problemas financeiros ou não oferecem serviços médicos satisfatórios aos clientes.
O objetivo da intervenção é evitar que esses problemas se agravem. Em casos extremos, não sendo as dificuldades superadas, as operadoras podem ser fechadas.
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) recomenda que ninguém contrate uma operadora que está em regime de ''direção fiscal'' ou ''direção técnica'', como são tecnicamente chamadas as intervenções.
''Muitas vezes, isso acaba em alienação compulsória da carteira de clientes, as operadoras quebram. O grupo de pessoas que faziam parte desses planos é colocado no mercado, leiloado. O consumidor é tratado como gado'', afirma a advogada Daniela Trettel, do Idec.
A advogada diz que as leis determinam que os clientes terão acesso aos mesmos serviços de antes na nova empresa, mas que, na prática, isso não acontece. ''Clínicas são descontratadas, médicos são descredenciados, as formas de autorização dos exames são mudadas. As pessoas acabam prejudicadas.''
A ANS diz que as intervenções são ''um procedimento normal e corriqueiro''. ''A maior parte das operadoras consegue voltar à normalidade'', afirma Alfredo Cardoso, um dos diretores da agência.
Entre as operadoras sob intervenção está a Avimed, uma das maiores do Estado de São Paulo, com 400 mil clientes. A empresa explica que está em processo de estruturação por ter adquirido, no ano passado, a carteira de clientes da Saúde ABC e afirma já ter ''sanado grande parte'' dos problemas.

mockup