O Paraná continua em primeiro lugar entre os estados brasileiros com maior endividamento. A pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio-PR) realizada neste mês de abril mostrou que 87% das famílias paranaenses tinham algum tipo de dívida. O valor está acima da média nacional, de 61,6%. As dívidas das famílias estão principalmente relacionadas aos gastos com o cartão de crédito (65,2%).
Em comparação com o mês de março (86,2%) e com o mês de abril do ano passado (85,6%), o índice de endividamento das famílias apresentou pouco crescimento. O mesmo aconteceu com o número de pessoas endividadas com contas com atraso, que se manteve nos 25%. Porém, o volume de pessoas que afirmaram que não ter condições de pagar suas dívidas teve alta mais significativa de abril de 2014 a abril de 2015, passando de 9,2% para 11,7%. O percentual de pessoas que dizem estar muito endividadas também cresceu significativamente, de 17,2% em abril do ano passado para 25,4% no mesmo mês deste ano.
Segundo o presidente da Fecomércio-PR, Darci Piana, é natural que o Paraná tenha o maior índice de endividamento em relação aos demais estados, pois apresenta o maior salário mínimo do País. "É mais dinheiro que entra em circulação. Quem compra mais, tem mais endividamento." Ele ressalta, entretanto, que o fato de o Paraná ter o maior endividamento não quer dizer que é o maior mau pagador. "Não somos. Somos aqueles que compram bastante e que pagam relativamente bem." De acordo com Piana, o Paraná é o 17º Estado com maior número de consumidores com contas em atraso.
O cenário econômico do País, entretanto, preocupa o presidente da Fecomércio-PR. A elevação dos juros, a inflação, o aumento dos preços da energia elétrica e do combustível e o crescimento do desemprego, segundo ele, estão diminuindo o poder de compra da população. Como consequência, a perspectiva é que as contas em atraso e a inadimplência aumentem nos próximos meses. Neste ano, o índice de inadimplentes paranaenses já vem apresentando altas: de 47,8% em fevereiro, passou para 52,9% em março e 55,2% em abril. "As pessoas estão com menos recursos para gastar."

Mudanças
"O aumento generalizado dos preços - em especial a alta da energia elétrica e o aumento do combustível - leva à queda da renda média das famílias", explica o economista da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci.
Por isso, o economista reitera que, neste momento, é de extrema importância o consumidor promover mudanças no orçamento familiar. "A primeira coisa é entender que é preciso redimensionar o padrão de consumo. É fundamental readequar o padrão de consumo para algo inferior do que se está acostumado." Ele orienta dar especial atenção às compras do supermercado, ao consumo de energia e de combustível e ao cartão de crédito. "O que se avizinha é uma degradação do cenário econômico. A economia não dá sinais de melhora este ano e os juros deverão continuar subindo."
Desempregada, Suzamar Fernandes Trindade conta que está ainda mais difícil manter as contas em dia com alimentos e contas mais caras. "Tem que comprar só o necessário." Por este motivo, ela também se queixa de não conseguir pagar uma dívida que se arrasta há anos. "Tenho uma dívida antiga que quero pagar, mas não tenho como."
O empresário Rodrigo Diniz sente na pele os reflexos da crise em casa e na sua empresa. "Na empresa, mais por causa dos encargos que acabo tendo que jogar para o cliente", comenta. Em casa, segundo ele, a maior dificuldade está em pagar as despesas do cartão de crédito. A saída é procurar fazer acordos com os credores e evitar as saídas aos fins de semana. "Cinema só segunda-feira, que é mais barato."

mockup