80% dos brasileiros usam as lotéricas
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Gisele Mendonça<BR>Reportagem Local 
Pagar as contas em casas lotéricas já virou hábito para grande parte da população. Segundo a Federeção Nacional dos Lotéricos (Fenal), pesquisas mostram que 80% dos brasileiros utilizam a rede - cerca de 10,5 mil estabelecimentos em todo o país - para algum tipo de serviço e se mostram satisfeitos com o atendimento. A rede recebe hoje 60% dos boletos interbancários do país e 90% dos boletos exclusivos da Caixa Econômica Federal.
Em período de greve dos bancos o movimento nesses estabelecimentos aumenta entre 15% e 20%. ''Imagine como ficaria essa gente toda se não houvesse a opção das lotéricas para esses serviços emergenciais'', valoriza Aldemar Mascarenhas, presidente da Fenal. Nas lotéricas também é possível fazer depósitos (da Caixa) de até R$ 500 e saques com valores máximos de R$ 1 mil (Caixa) e R$ 500 (Banco do Brasil). Em relação ao pagamento de boletos, os limites são R$ 1 mil (de qualquer banco, até o vencimento) e R$ 2 mil (da Caixa, independentemente de vencimento, obedecendo aos critérios identificados no título).
No portfólio de serviços das lotéricas ainda consta o pagamento de todos os benefícios sociais do governo federal (Seguro Desemprego, Bolsa Família, PIS, FGTS, aposentadorias). Embora poucos saibam, as lotéricas já estão autorizadas a fazer empréstimos consignados (para funcionáios públicos estaduais e municipais, pensionistas e aposentados no INSS), abertura de contas da Caixa e financiamento imobiliário.
Por enquanto, segundo o presidente da Fenal, menos de 10% dos estabelecimentos fazem esta parte negocial. ''É que para isso é preciso se estruturar, treinar funcionários. As lotéricas não são obrigadas a isso, mas é um serviço a mais para a população'', diz Mascarenhas. Ele informa que nas regiões Sul e Sudeste do país as loterias correspondem a 50% da receita das lotéricas e o restante vem dos demais serviços. No Norte e Nordeste, as apostas representam 80%. No geral, o carro-chefe é a Mega-Sena, seguida pela Lotofácil. O setor repassa anualmente ao governo federal mais de R$ 7 bilhões de arrecadação com as loterias.
Regulamentação
O setor emprega mais de 60 mil pessoas no país e vem investindo na qualidade de atendimento aos clientes, com funcionários treinados e ambiente climatizado para maior conforto. ''Basta lembrar o que eram as lotéricas há 10 anos: simples chalés escondidos, medrosos'', compara Mascarenhas. Embora sofram com a violência urbana, ele considera que esses estabelecimentos também evoluíram em relação à segurança.
''Hoje a Caixa paga o carro-forte para fazer o transporte de valores e a maior parte dos estabelecimentos têm segurança à paisana'', diz. Quanto à porta giratória, como nos bancos, o presidente da Fenal entende que a instalação é de livre arbítrio de cada empresário. Ele adianta, no entanto, que o padrão de receita das lotéricas não possibilita a benfeitoria, levando em conta o investimento e a manutenção.
Pela importância do canal das lotéricas para a sociedade, o presidente da Fenal pede mais reconhecimento por parte dos governantes. Ele destaca que a luta é por apoio em busca da regulamentação das atividades do setor. ''Temos uma parceria de sucesso com a Caixa e reconhecemos que evoluímos muito nos últimos anos, mas precisamos da regulamentação das nossas atividades. Assim vamos nos profissionalizar e termos tranquilidade de permanência no mercado'', pondera Mascarenhas.


