''Convivemos com um solo compactado e com baixa capacidade de infiltração de água. Com isso, voltamos a ter sérios problemas de erosão, um sintoma da degradação de solo.'' A afirmação do coordenador do Programa Grãos do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Nelson Harger, define a situação de grande parte do solo cultivado na região Norte do Paraná: 72% da área de basalto de Londrina, que totaliza 201.150 hectares cultivados com soja, apresenta problemas de terraços reduzidos, eliminados ou rebaixados. Além disso, 15% do plantio na área é feito em desnível ou morro abaixo. Harger ressalta que o atual modelo de produção não é sustentável.
Segundo ele, ao adquirir maquinários cada vez maiores para plantio, cultivo e pulverização, o agricultor encontra dificuldades de operar em sistema de terraceamento e, em muitos casos, opta pela eliminação dos terraços, o que resulta em erosão nos casos de enxurradas. Além disso, a degradação dos solos é potencializada pela prática do Plantio Direto sem palhada.
''Ao melhorar a capacidade de infiltração de água no solo, o potencial produtivo das culturas torna-se muito maior, e o produtor ganha mais'', esclarece. O coordenador do Emater argumenta que, mesmo com a atual rentabilidade resultante dos bons preços do milho e da soja, em uma condição climática adversa, o agricultor vivencia problemas de rentabilidade. Com o manejo de solo, esse problema seria evitado graças a elevação do potencial produtivo.
O técnico do Emater, Alcides Bodnar, afirma que o Plantio Direto está sendo empregado de forma incompleta em grande parte do Estado, com muitas etapas sendo ignoradas, como terraceamento, plantio em nível e caixas de retenção nas estradas rurais. Como consequência das chuvas, o escorrimento superficial arrasta a terra produtiva e a matéria orgânica no solo. ''A redução da qualidade do solo já é visível, em chuvas fortes há ocorrência de erosão e isso vem ocorrendo de forma generalizada no Paraná. Em torno de 30% das propriedades estão com problemas sérios e para melhorar a situação é necessária uma parceria entre as entidades'', salienta.
O debate foi tema do 1º Seminário de Manejo de Solos em Sistema de Plantio Direto da Região de Basalto de Londrina, realizado ontem durante da 52 ExpoLondrina. Ao final do evento, foi elaborada uma carta apresentando os problemas de manejo de solo no Estado e apontando caminhos para solucioná-los. Segundo Harger, a solução deve incluir uma análise do sistema produtivo, ''pois no atual modelo tecnológico, a tendência é de que os solos fiquem cada vez piores no aspecto de qualidade''.
De acordo com o gerente regional do Emater em Londrina, Sérgio Luiz Carneiro, o Governo do Paraná pretende retomar um trabalho que já foi referência nacional em manejo do solo, com o uso de uma metodologia de atuação de forma sistêmica, em microbacias, que não se resume a uma prática de contenção do problema, mas em um conjunto de ações organizadas entre várias instituições. ''O evento marca o retorno de uma ação governamental para dar resposta aos problemas que estão surgindo com relação ao manejo do solo e da água. Esse é um problema grave que exige intervenção do governo. O secretário Norberto Ortigara deve, em breve, fazer o lançamento de uma ação oficial do governo nessa área'', revela.

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