Curitiba - O universo financeiro ainda é um desafio para a população menos favorecida economicamente. A pesquisa do Data Popular mostrou que na classe baixa 44% das pessoas têm dificuldade para compreender este assunto. O levantamento apontou ainda que a maior parte (56%) dos bancarizados pertence à classe média o que representa 47,6 milhões de pessoas. A classe alta participa com um percentual de 32% (27,2 milhões) e a classe baixa com 12% (10,2 milhões).
A classe média também é a maioria entre os correntistas e, em seis bancos pesquisados, ficou com uma participação entre 56% e 61%. O grande problema ainda é que 71% dos clientes se sentem mal atendidos quando vão ao banco. Na classe baixa 47% prefere pedir dinheiro emprestado para um parente ou amigo do que solicitar para o banco. Na classe média este percentual é de 44% e na classe alta de 32%.
E quanto menor a renda, maior a aversão aos bancos. Na classe baixa, 45% evitam ao máximo usar os serviços de bancos contra 37% na classe alta. O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira, disse que o problema do mau atendimento dos bancos tem como raiz o fato de estas empresas não terem se estruturado com um número de funcionários suficientes para atender o acúmulo de clientes que estão buscando.
Outra vertente adotada atualmente pelos bancos, segundo Oliveira, é criar departamentos para atender públicos mais específicos como os de maior renda. ''As instituições bancárias perceberam que precisam de todos os tipos de públicos'', destacou.
Ele alertou que as taxas cobradas pelos bancos ainda são muito altas, por isso, a dica dele é pesquisar e barganhar. ''O cliente tem que entender o banco como se fosse um negócio'', destacou. Ele lembrou que hoje o pacote básico de tarifas sai entre R$ 15 e R$ 20. Com isso, o cliente gasta cerca de R$ 240 por ano para manter uma conta padrão. Segundo pesquisa realizada pela Anefac, as taxas anuais do cheque especial chegam a 143,55%, do empréstimo pessoal 41,58% e do cartão crédito 192,94%.
O consultor financeiro Raphael Cordeiro disse que os serviços dos bancos, na média, não são bons em função do número de funcionários cada vez menor. Segundo ele, a população da classe baixa geralmente sofre mais com os serviços bancários porque tem que enfrentar fila. Por terem uma renda menor não conseguem ter benefícios e, pelo fato de não possuírem um histórico bancário, encontram dificuldades para solicitar um aumento de limite ou mesmo para pedir crédito.
Já as pessoas que têm o salário depositado em conta, possuem acesso à internet e a dispositivos móveis e acabam sofrendo menos com os serviços bancários, disse Cordeiro.

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