Curitiba - O Ministério da Agricultura (Mapa) emitiu 70 autos de infração neste ano contra indústrias que atuam com produtos lácteos no Paraná entre fabricantes de leite e derivados, o que representa um aumento de 16% em relação aos 60 autos realizados no ano de 2006. O responsável técnico pela área de leite do ministério no Paraná, Sidney Antonio Liberati, explicou que as autuações não ocorrem apenas por problemas ligados a fraudes. Neste ano, foram coletadas 130 amostras de leite contra 70 em 2006.
Entre os principais problemas encontrados estão não conformidades dos produtos com o regulamento técnico em relação a padrões microbiológicos e físico-químicos. As irregularidades verificadas foram relativas a coliformes, umidade e acidez acima do normal. Além disso, o ministério verificou problemas como não cadastramento no sistema do Mapa de produtores, condições higiênicas não adequadas, rótulos não aprovados pelo ministério, armazenagem inadequada e presença de antibiótico no leite quando chega na indústria.
Segundo ele, nas indústrias do Paraná, ainda não foi detectada nenhuma mistura de soda caústica e água oxigenada ao leite. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, determinou que seja implantado um novo modelo de fiscalização, através do qual as inspeções serão menos frequentes e mais minuciosas, e será eliminada a figura do fiscal federal agropecuário que trabalha de forma permanente nos laticínios. Serão equipes de três profissionais que farão inspeções aleatórias nos estabelecimentos.
No Paraná, este novo sistema não é novidade. Segundo Liberati, já foi implantado há dois anos. ''Percebemos que o número de indústrias era grande e o número de fiscais reduzido (hoje são dez)'', disse. Segundo ele, nas fiscalizações periódicas vai o fiscal e o agente de inspeção e as indústrias não são avisadas quando vão receber a inspeção. ''O Paraná foi o primeiro Estado que implantou efetivamente a inspeção periódica'', contou. Ele disse que seriam necessários mais cinco fiscais para ampliar a equipe.
Na área de leite, a fiscalização do Mapa começa na recepção do leite na indústria. Só entra na usina de beneficiamento, o leite que estiver dentro dos parâmetros de acidez, redutase (carga bacteriana) e crioscopia (indicador do grau de congelamento do produto). Ainda são fiscalizados itens como a refrigeração do leite, o funcionamento do pasteurizador (e se esse processo foi realizado adequadamente), e a temperatura adequada de todo o processo para o leite longa vida (UHT).
Também é feito o teste de guaiacol, para verificar se há presença no produto de peróxido de oxigênio, conhecido como água oxigenada. Ele explicou que o leite tem uma carga bacteriana e se ficar em uma temperatura mais alta as bactérias se multiplicam. As empresas de outros Estados usavam a água oxigenada para matar as bactérias, o que é proibido.
As bactérias do leite utilizam a lactose (açúcar presente no produto) para produzir ácido lático. Com isso, o leite fica mais ácido. As indústrias que foram denunciadas usavam soda caústica para neutralizar esse ácido, procedimento proibido pela lei. O Mapa ainda verifica as condições de higiene das indústrias, as roupas e o asseio corporal dos funcionários.
No Paraná há 133 indústrias lácteas com SIF (Serviço de Inspeção Federal), 24 delas produzem leite para consumo e as outras trabalham com derivados. Apenas seis operam com leite UHT: Batávia (Carambeí), Confepar (Londrina), Líder (município de Lobato), Vigor-Leco (município de Santo Inácio), Frimesa (Marechal Cândido Rondon) e Lacto (Francisco Beltrão). O popular leite de saquinho é produzido por 20 empresas. E o leite em pó é fabricado pela Confepar e Alibra (Marechal Cândido Rondon).
No Paraná, o Mapa trabalha com a inspeção permanente e periódica. Das 133 indústrias, 16 têm inspeção permanente porque são usinas de leite UHT ou de saquinho. É mantido um agente de inspeção ou fiscal federal todos os dias.
Para a fiscalização periódica, todo início de ano é feito um cronograma de inspeção das indústrias. Todas as 133 indústrias passam pela inspeção, no mínimo, quatro vezes por ano. Segundo Liberati, o trabalho passa por supervisão de três ficais do Paraná a cada três meses. Há também auditorias nacionais, ou seja, três fiscais de outro Estado vêm ao Paraná a cada seis meses para verificar os trabalhos. (LEIA MAIS NA PÁG 3)

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