Pesquisa encomendada pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep) revela que mais de 70% dos agricultores paranaenses não conseguirão pagar suas dívidas neste ano por causa da profunda perda de renda causada pela estiagem, agravada pelos altos custos de produção e defasagem cambial.
Dos entrevistados, 25,74% admitem que nada conseguirão pagar em relação aos débitos vencidos e vincendos, enquanto 46,28% quitarão apenas parte. Somente 23,93% pagarão as dívidas normalmente.
Dos 1.832 produtores entrevistados entre 6 a 15 de fevereiro, em 60 municípios paranaenses, 36% anunciam a disposição de demitir funcionários. Enquanto isto, aproximadamente 90% não pretendem comprar máquinas e equipamentos por falta de dinheiro.
O levantamento, feito pela Paraná Pesquisa, vai além. Pelo menos 62% dos empregadores rurais pesquisados disseram que serão obrigados a demitir por falta de renda caso seja aprovado o salário mínimo regional de R$ 437,00. Segundo argumentam, não terão condições de arcar com a despesa adicional.
De acordo com o presidente da Faep, Ágide Meneguette, a pesquisa evidencia a realidade da atual crise agropecuária do Paraná. Segundo 75,62% dos agropecuaristas ouvidos, se 2005 foi pior do que esperavam, 2006 não apresenta perspectivas de melhorias.
Na esteira desse pragmatismo, 53,17% acreditam que a renda da propriedade rural, em 2006, deve piorar. Somente 23,85% consideram que ela ficará igual e 16,70% apostam em alguma melhoria.
A exemplo da posição da Faep, 48,23% dos agropecuaristas pesquisados, apontam a renegociação das dívidas, por meio de securitização, como o meio mais eficaz para amenizar a difícil situação. Outros 16,27% entendem que o melhor é só prorrogar o custeio e 11,21% opinam que se deve deixar como está.

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