66% dos brasileiros não recebem 13º salário
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de dezembro de 2005
Agência Estado 
Pesquisa nacional encomendada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) à Ipsos-Opinion revela que 66% dos brasileiros não devem receber o 13º salário este ano; 32% responderam que receberão o salário extra e 2% não sabem ou não responderam. A pesquisa foi realizada em novembro, com mil entrevistas em 70 cidades de nove regiões metropolitanas.
O presidente da Associação Comercial, Guilherme Afif Domingos, afirma que o alto percentual dos entrevistados que não devem receber 13º salário reflete, pelo menos em parte, a elevada informalidade da mão-de-obra, além do grande número de pessoas que trabalham por conta própria.
Pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Sebrae revela que há no Brasil mais de 10 milhões de empresas informais, o que corresponde por 98% das micro e pequenas empresas de todo o País. A economia informal gerou R$ 17,6 bilhões de receita média mensal e respondeu por um quarto das contratações de trabalhadores não-agrícolas no País. As empresas informais empregam cerca de 13 milhões de pessoas, incluindo trabalhadores por conta própria, pequenos empregadores, empregados com e sem carteira de trabalho assinada e trabalhadores não-remunerados.
Entre os que receberão o 13º salário, a pesquisa da Associação mostra que 48% vão aplicar os recursos do 13º salário no pagamento de dívidas e 21% vão gastar o dinheiro com compras natalinas. Entre os demais, 6% vão aplicar em investimento em bancos, 6% utilizarão de outras formas, 5% disseram não saber ou não responderam, 4% vão aplicar em reformas de casas, 4% em viagens, 3% em investimentos de bens imóveis, 2% na compra de um carro e 2% em poupança.
Embora não disponha de dados relativos aos anos anteriores, considero que a destinação de parcela significativa dos recursos do 13º para a quitação das dívidas não tenha se alterado. É preciso considerar que muitos daqueles que pagam suas dívidas com o salário extra partem para novas compras a prazo, conforme revelou outra pesquisa, feita pelo Instituto de Economia da ACSP junto aos inadimplentes atendidos no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Essa pesquisa mostra que 55% dos que pretendem quitar ou renegociar seus débitos querem fazer compras para o Natal e que 57% vão usar o crediário.
Roupas e calçados estão em primeiro lugar (56%) entre os itens mais desejados por quem pretende comprar, seguidos por viagens (7%), CDs (6%) e DVDs e telefones celulares (5%). Quanto à forma de pagamento, as compras à vista devem predominar para CDs (86%), livros (74%), viagens (70%), jóias e perfumes (68%) e roupas e calçados (63%). O crediário será mais utilizado para a compra dos eletrodomésticos, com destaques para aparelhos de som (90%), geladeira (83%) e microcomputadores (80%).
O percentual de entrevistados que fizeram nova prestação diminuiu entre agosto (13%) e novembro (9%), bem como os que atrasaram algum pagamento (8% contra 9% no mês anterior); 17% já pagaram multa por atraso e 27% tiveram registro no SCPC, sendo que 14% ainda estão no cadastro de inadimplentes.


