60 anos da A.B.P.
A Associação Brasileira de Propaganda está festejando os 60 anos de sua fundação. Para um país que tem pouco menos de 5 séculos de existência e apenas um século e meio como nação, a cifra é importante. Significa que a atividade já existe, de forma organizada, durante quase metade desse tempo.
Para a maioria das pessoas, 1937 é um ano distante. Só os muito seniors, entre nós, já tinha nascido e poderia ter idade suficiente para perceber o que se passava, quando este grupo de profissionais se reuniu, no dia 16 de julho para formar uma associação. Getulio Vargas fecharia o Congresso, em novembro, para proclamar o Estado Novo. A segunda grande guerra estava há dois anos de distância. Em Munique, o governo nazista promovia uma exposição de arte degenerada com quadros de alguns dos grandes nomes da pintura moderna... A aeronauta Amélia Earhart desaparecia no oceano. Henry Ford afirmava jamais reconhecerá qualquer tipo de sindicato. Aos 23 anos, Joe Louis conquista o título de campeão mundial dos pesos pesados. No Rio - capital da República - morria Noel Rosa, aos 26 anos. Bidu Sayão apresentava-se com sucesso no Metropolitan, em Nova York, onde, também, ocorria a explosão do Graf Zepelin. Monteiro Lobato agita o país com seu livro O Escandâlo do Petróleo, que será seguido pelo Poço do Visconde. Hoje sei que o segundo deixou raízes mais duradouras que o primeiro...
A ABP ainda tem o livro de atas com as assinaturas dos fundadores e vale a pena reproduzir aqui esses nomes, na ordem em que assinaram: Cícero Leuenroth, Armando Sarmento, Sylvio Behring, Kenneth Wadell, Antonio Herrera, Walter Maya, Aldemar Bahia, Manoel A. Galvão, Edmar Machado, José Grottera, Almério Ramos, Fernando Caldas, Eugênio Leuenroth, Aldo Xavier da Silva, Charles Ullmann, L.C. Souza e Silva, C. Machado Bittencourt, Antonio A. Souza e Silva, David Monteiro, Jorge Mathias, Rosino Zacchi, Renato Castelo Branco, Julio Cosi, Pery de Campos, W.A. da Silva, Assis Chateaubriand, Moacyr Artusi e Armando dAlmeida.
Alguns desses nomes - como Assis Chateaubriand ou Renato Castelo Branco são ainda reconhecidos, enquanto outros nada mais evocam. Pessoalmente, conheci muitos - pois meu pai foi ativo na profissão nos anos 40 e 50 - e sei que pelo menos um, Silvio Behring - que foi um dos presidentes da Associação - ainda vive. Foi ele que, numa entrevista, há 15 anos, contou com os profissionais daquela época faziam de tudo: criação, atendimento, mídia e produção. O primeiro presidente da ABP foi Aldo Xavier da Silva, da agência Sul Americana e a sede era na rua Teófilo Otoni, 113. Na diretoria estavam, naturalmente, a maioria dos signatários da ata de fundação e mais Alvarus de Oliveira (Eno, Scott & Bowne), Oswaldo Ballarin (Nestlé) - clientes - e, representando os veículos, Albino Serpa (Rádio JB), Henrique Liberal (Diário Carioca) e João Serpa (O Cruzeiro).
Parece não haver dúvida que os grandes veículos da época eram a revista O Cruzeiro, os jornais dos Diários Associados, a Rádio Nacional... Mas circulavam, ainda, além do Diário Carioca, as revistas Fon-Fon, o Jornal das Moças, na ABP: Kolynos, Gessy, Ford e Chevrolet, Good Year, Cinzano, Gancia, Leite de Rosas, Bayer, Colgate, Philco...
É verdade que, se a ABP é a mais antiga associação de propaganda do Brasil, São Paulo - hoje nosso principal mercado - não ficava muito atrás, pois no mesmo ano, em setembro, era fundada a associação paulista - a mesma APP. É prova do seu dinamismo o fato de que, já em 1937, no mesmo ano de sua fundação, circulava o primeiro número da revista Propaganda.
Há muito que verificar e contar nessas décadas de muita agitação e criatividade que sempre caracterizaram a nossa propaganda. Assunto para estudantes e professores da área, talvez? Mas, enquanto isso, aí vai um abraço - público - para a nossa ABP.
- JOSÉ ROBERTO WHITAKER PENTEADO é diretor da Escola Superior de Propaganda e MarketingJosé Roberto Whitaker Penteado
Usada com sanidade, a propaganda poderia mudar o mundo. (Stuart Chase)





