5G deve chegar ao Brasil entre final de 2020 e 2021
Operadoras se preparam para oferecer nova geração da rede móvel, mas ainda aguardam leilão de frequências em 2020; entidades apontam dificuldades
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de junho de 2019
Operadoras se preparam para oferecer nova geração da rede móvel, mas ainda aguardam leilão de frequências em 2020; entidades apontam dificuldades
Mie Francine Chiba - Grupo Folha 

Os leilões para as faixas de frequência do 5G pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) estão previstos para o primeiro trimestre de 2020. Por isso, a expectativa é que a oferta comercial da nova geração da rede móvel aconteça no final do ano que vem, afirmou Sérgio Kern, diretor do Telebrasil (Associação Brasileira de Telecomunicações). “Vai depender do plano de negócios de cada operadora”, ele ressalta.
“Temos que superar algumas dificuldades, que são grandes”, ele destaca. A instalação de antenas é uma delas, diz Kern. Segundo ele, o 5G vai exigir 4,5 vezes mais infraestrutura que o 4G, mas processos burocráticos podem travar a instalação de mais antenas. “Temos uma Lei Geral (das Antenas), mas a legislações municipais, em grande parte, são restritivas.” Londrina, por exemplo, não tem uma lei municipal que permite a instalação de antenas desde 2015, quando a lei 8.462/2001, que dispunha sobre as normas para instalação desses equipamentos, foi revogada devido à aprovação de uma nova Lei de Uso e Ocupação do Solo (12.236/2015).
Os altos tributos que incidem sobre o setor também são apontados pelo diretor do Telebrasil como um entrave ao 5G. Além disso, para Kern, é preciso haver um cenário econômico que motive o investimento no País. “Para implementar uma infraestrutura que é cara, tem que ter motivação.”
Um dos pontos positivos foi a determinação, pela Anatel, de que o leilão do 5G não será arrecadatório, ou seja, vencerão o certame não aquele que pagar mais, mas o proponente que cumprir com as determinações da Agência. A possibilidade de uso das taxas do Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações), que avança na Câmara dos Deputados, para aplicações de IoT (Internet of Things – Internet das Coisas) – uma das promessas para o 5G -, também é vista com bons olhos pelo diretor da Telebrasil.
Para José Otero, vice-presidente da 5G Americas para a América Latina e Caribe, opina que serão necessários maior capilaridade de fibra ótica, um marco legal que minimize os processos burocráticos e mais espectro alocado pelo governo para a implantação do 5G no Brasil. Além disso, na visão de Otero, falta lógica na estratégia comercial das operadoras para o lançamento da nova rede.
Na semana passada, a Anatel aprovou duas novas frequências que poderão atender as operadoras na oferta do 5G no País – as faixas de 2,3 GHz e de 3,5GHz. A licitação dessas faixas também deverá ocorrer no início de 2020. Para o presidente da Anatel, Leonardo de Morais, a destinação das duas faixas de frequências será extremamente importante para o sistema e a decisão vai possibilitar a oferta de mais capacidade para o desenvolvimento do 5G no País.
Preparativos
A Vivo considera o 5G uma evolução dos investimentos nas redes 4G e 4,5G, que será capaz de conectar não só pessoas, mas também carros, casas, cidades, aumentando de maneira significativa o tráfego de dados. “A Vivo está trabalhando intensamente na transformação de todo seu núcleo de rede. Estamos avançando na virtualização de rede, com o objetivo de aumentar sua agilidade, flexibilidade e escalabilidade em um ambiente de nuvem multivendor, capaz de incorporar novas funcionalidades, incluindo o 5G”, informou a operadora.
A operadora se considera a primeira a realizar testes com a nova rede móvel: em 2018, no Rio de Janeiro, com uma aplicação de realidade virtual de um jogo de vôlei em parceria com a Huawei; e em setembro de 2018, em São Paulo, com simulações de cirurgia remota, em parceria com a Ericsson. “Ainda este ano, a companhia planeja a continuidade dos testes para aprofundar os conhecimentos na rede 5G, que será realidade no Brasil nos próximos anos”, completa a Vivo. Segundo a companhia, a entrada comercial do 5G será gradual, após o leilão das frequências em 2020.
A Tim, que quer ser pioneira e líder do 5G no Brasil, planeja desenvolver um centro de referência em 5G com foco em aplicações, produtos e serviços após a chegada comercial da tecnologia no País. O objetivo é promover a tecnologia e os novos modelos de negócio com foco na implantação de aplicações para Cidades Inteligentes, Agricultura Inteligente, Indústria 4.0, Entretenimento, Saúde, Carros Autônomos e Realidade Virtual.
A operadora anunciou recentemente a ativação de uma antena de 5G em Florianópolis (SC), com licença especial liberada pela Anatel, para um projeto-piloto na Fundação CERTI, em parceria com a Huawei. O objetivo é transformar a capital catarinense em uma “cidade-laboratório” do 5G e suas aplicações. Santa Rita do Sapucaí (MG) e Campina Grande (PB) são as próximas cidades a receber projeto-piloto, afirmou a Tim. A companhia prevê investimentos de R$ 12,5 bi no Brasil no triênio de 2019 a 2021, com foco na expansão de sua infraestrutura.
A Oi afirma que já vem, nos últimos anos, preparando sua rede para suportar o grande crescimento das redes de acesso de banda larga de alta velocidade que ocorrerá por meio da modernização para o 4,5G e preparação para o 5G. No final de março, a Oi anunciou uma demonstração do 5G em Búzios (RJ), em parceria com a Huawei: um espaço em que o visitante podia se conectar a outra pessoa no mesmo ambiente, visualizando suas holografias por meio de óculos de realidade virtual.
No entanto, a operadora lembrou que “qualquer plano para implementação e oferta de serviços dependerá dos prazos a serem definidos pela Anatel para o leilão de frequências para o 5G”. “Independentemente desta previsão, a Oi já vem preparando sua infraestrutura de rede para suportar a futura 5G, uma vez que ela promoverá uma transformação significativa nas redes, serviços e modelos de negócio das operadoras, necessitando que estas adequações já estejam em desenvolvimento.”
A Claro se diz a primeira a instalar uma antena de 5G no Brasil, em outubro de 2018, na Ilha do Fundão (RJ) para testes. A operadora considera que o teste é parte de um investimento em infraestrutura para acompanhar as atualizações e a modernização dos mercados de telecom internacionais. “É um processo que, dentro na visão inovadora da Claro, é necessário independentemente do 5G. Ou seja, quando a quinta geração chegar ao Brasil, a Claro já estará preparada para recebê-la.”
No entanto, a companhia ressalta que “ainda há muito a ser explorado na rede 4G”, com o 4.5G tecnologia LTE Advanced Pro, que permite velocidades até 10 vezes mais rápidas do que o 4G convencional, e que ainda “há um longo caminho a ser percorrido até a ativação comercial da tecnologia 5G”. “Além disso, ainda não há indicativos de novas receitas e demanda (e nem devices em escala) no mercado brasileiro que exija a rede 5G. Tudo o que é oferecido hoje é atendido pela Claro com a rede 4.5G”, completa a operadora.


