56% das rodovias do Paraná estão em más condições, aponta pesquisa
Estudo analisou as condições de 6,3 mil quilômetros de rodovias em todo o Estado nos quesitos pavimento, sinalização e geometria
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
Estudo analisou as condições de 6,3 mil quilômetros de rodovias em todo o Estado nos quesitos pavimento, sinalização e geometria
Simoni Saris - Grupo Folha 
Mais da metade das estradas do Paraná apresenta problemas de conservação. A 23ª edição da Pesquisa CNT de Rodovias 2019, divulgada na semana passada pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) e pelo Sest/Senat, analisou as condições de mais de 6,3 mil quilômetros de rodovias em todo o Estado e desse total, 56,1% foram avaliados como regulares, ruins ou péssimos. Os outros 43,9% foram considerados ótimos ou bons. O levantamento observou pavimento, sinalização e geometria, além de apontar os pontos críticos de 57 rodovias estaduais e federais. No Brasil, o estudo abrangeu 108.863 quilômetros da malha rodoviária.

A pesquisa detectou problemas no pavimento em 53,1% dos trechos de rodovias avaliados no Paraná, enquanto 46,9% têm condição satisfatória. A sinalização é regular, ruim ou péssima em 40,4% da extensão da malha rodoviária, mas em 59,6% está em ótima ou boa situação. A faixa central é inexistente em 3,1% da extensão e não há faixas laterais em 13%.
Em 83% dos trechos analisados, a geometria da via mostrou-se deficitária e em apenas 17% da extensão estava ótima ou boa. Apesar de a maior parte das rodovias paranaenses ser pedagiada e apesar de as concessionárias que exploram o serviço de pedágio terem o compromisso de duplicarem as rodovias, as pistas simples ainda predominam no Estado, com 80,5%. A falta de acostamento foi outro problema verificado. Em 45,3% dos trechos não havia a estrutura de segurança e em 51% dos trechos com curvas perigosas não havia acostamento nem defensa. A pesquisa indicou oito pontos críticos nas rodovias do Paraná, sendo uma erosão na pista, uma queda de barreira e seis locais com buracos grandes.
Além dos gastos com acidentes, que em 2018 representaram R$ 1,04 bilhão ao Estado do Paraná e somaram R$ 9,73 bilhões no Brasil, as condições das rodovias têm impacto direto nos custos do transporte, apontou a pesquisa. Em 2019, estima-se que, na média nacional, as inadequações do pavimento resultaram em uma elevação do custo operacional do transporte de 26,4%, sendo que o maior índice foi registrado na Região Norte do País, com aumento de 38,5%.
“A maior parte das estradas do Paraná são pedagiadas e onde está o governo e o DER (Departamento de Estradas de Rodagem)? O pedágio está mais caro que o combustível, mas as estradas são ruins, sem acostamento, com buracos. Não é feito recapeamento, só tapa-buracos. Não tem manutenção correta e a conta vai para os caminhoneiros”, queixou-se o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Londrina, Carlos Roberto Dellarosa, que aponta os ônus que o descuido com a infraestrutura das rodovias acarreta à categoria, como manutenção mais cara e mais frequente dos veículos e maior consumo de combustível e insumos.
Em 2019, estima-se que haverá um consumo desnecessário de 55,1 milhões de litros de diesel no País devido à má qualidade do pavimento das rodovias. Desperdício que custará R$ 195,26 milhões aos transportadores.
DER
O DER-PR informou, por meio de nota, que analisa os dados da pesquisa, mas adiantou que as rodovias estaduais são atendidas pelos programas Cremep (Conservação e Recuperação com Melhorias do Estado do Pavimento), COP (Conservação do Pavimento) e Conservação da Faixa de Domínio do DER-PR, iniciativas que integram o programa de Revitalização de Estradas do Governo do Paraná.
Por meio desses programas, disse o órgão estadual, são realizados “remendos superficiais e profundos, reperfilagem, microrrevestimento, melhorias no sistema de drenagem, sinalização, limpeza, pintura e roçada em 9,8 mil quilômetros de rodovias estaduais de todas as regiões do Estado”. Segundo o DER, R$ 360 milhões foram investidos nos programas até agora. Outros R$ 673 milhões estão sendo investidos em obras em 601 quilômetros de extensão de rodovias estaduais, entre elas, a duplicação da PR-445, entre Londrina e Irerê.
Segundo a pesquisa, seria necessário um investimento de R$ 1,70 bilhão para recuperar as rodovias do Paraná, incluindo ações emergenciais, manutenção e reconstrução. O presidente da CNT, Vander Costa, destacou a importância do investimento nas rodovias de todo o País para garantir a qualidade do tráfego de veículos. “É urgente a necessidade de ampliar os recursos para as rodovias brasileiras e melhorar a aplicação do orçamento disponível”, afirmou Costa por meio da assessoria de imprensa da entidade. Segundo ele, “a priorização do setor nas políticas públicas e a maior eficiência na gestão são imprescindíveis para reduzir os problemas nas rodovias e aumentar a segurança no transporte”.
MAIS INVESTIMENTOS
“Nós necessitamos de um R$ 1,70 bilhão e o governo federal tem R$ 470 milhões para investir. Não há alternativa a não ser concessionar as rodovias”, afirmou o presidente da Fetranspar (Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná) e Sest/Senat no Paraná, Sérgio Malucelli. Os novos contratos, no entanto, devem ter valores compatíveis com a potencialidade do setor produtivo, defendeu ele. “Não pode ser alto demais nem irrisório porque senão cobra um pedágio e não tem resultado na manutenção e construção de novos trechos.”
A grande preocupação do setor, ressaltou Malucelli, é com as estradas que não estão pedagiadas. “O Paraná está investindo, mas o governo federal tem no seu orçamento do Ministério da Infraestrutura 3% para aplicar nas rodovias. Vai faltar dinheiro para deixá-las em bom estado. É muito pouco investimento pelo montante do imposto que o transporte rodoviário de cargas recolhe. A cada R$ 100 produzidos, R$ 47 vão para pagar impostos. Mas o investimento não deve ser só nas estradas. Tem que investir também em ferrovias, portos, em toda a infraestrutura.”


