55 milhões de pessoas não têm conta bancária no País
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quarta-feira, 29 de maio de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - Um levantamento realizado pelo Instituto Data Popular mostrou que no Brasil 55 milhões de adultos não têm conta bancária. Por outro lado, o número de bancarizados cresceu 32% nos últimos sete anos e hoje chega a 85 milhões de pessoas. Mas, junto com o crescimento do número de contas, veio a piora na qualidade dos serviços prestados. A mesma pesquisa mostrou que 71% dos entrevistados se sentem mal atendidos pelas instituições bancárias.
O levantamento do instituto apontou que, quanto menor a renda, maior a importância do dinheiro em espécie. Na classe baixa, 84% das pessoas entrevistadas disseram usar dinheiro para pagar a compra de produtos, alimentos e serviços. Norte e Nordeste são as regiões do País menos bancarizadas com um percentual de 50% e 53%, respectivamente, de pessoas sem conta. O Sul tem o menor volume de não-bancarizados (30%).
A maior parte das pessoas sem conta bancária é formada por mulheres (60%) com idade entre 25 e 59 anos. Cerca de 68% têm ensino fundamental ou menos. Os não bancarizados são principalmente autônomos (26%), donas de casa (17%), empregados sem carteira assinada (20%), empregados com carteira assinada (8%), estudantes (10%), desempregados (10%) e aposentados (7%).
Um das razões que as pessoas apontaram para não ter conta é a dificuldade de acesso à rede bancária, ou seja, pessoas que vivem em cidades do interior do País e são brasileiros mais pobres e menos escolarizados.
A outra razão, conforme a pesquisa, é ter uma experiência anterior ruim. São brasileiros que já tiveram uma conta bancária mas, por problemas financeiros ficaram endividados ou inadimplentes e precisaram encerrar o relacionamento com as instituições financeiras.
O terceiro motivo é por simples opção pessoal. Estes brasileiros optaram por não ter relacionamento com bancos por não verem vantagens efetivas no pagamento de taxas para a manutenção dos serviços financeiros.
A aposentada Marta Cordeiro não tem conta bancária e paga tudo que compra em dinheiro. Quando faz um parcelamento, usa carnê. ''Guardo o dinheiro para comprar a maior parte das coisas à vista'', contou. A diarista Marli Terezinha da Silva também não tem conta e costuma guardar o dinheiro em casa. ''Tenho vontade de ter uma conta para fazer poupança'', disse. Quando quer comprar um bem mais caro, ela guarda o dinheiro e compra à vista. ''Daí durmo tranquila'', disse. Ana Oliveira, que agora está desempregada, não tem conta bancária, mas manteve, por enquanto, apenas uma conta poupança.
Valmir Veloso, que trabalha como supervisor de produção, tem conta bancária e reclamou da quantidade de taxas cobradas pelos bancos. ''Hoje, é raro a gente ser atendido em dez ou 20 minutos, geralmente, a espera é de 40 minutos'', reclamou. ''É difícil viver sem uma conta bancária'', lamentou.

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