47,9% dos sulistas estão otimistas com economia
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quinta-feira, 07 de abril de 2011
Maigue Gueths <br> Equipe da Folha 
Curitiba - As famílias da região Sul são mais pessimistas do que o restante do País em relação à situação econômica brasileira e às suas próprias condições financeiras. É o que mostra a pesquisa ''Índice de Expectativa das Famílias Brasileiras'' (IEF) realizada em março e divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Enquanto na média nacional, 62,8% das famílias brasileiras disseram acreditar que o País passará por bons momentos nos próximos 12 meses, o índice cai para 47,93% na região Sul. O percentual é praticamente a metade da região Centro-Oeste, onde 83,51% revelaram-se otimistas com a situação econômica brasileira.
O ceticismo da região Sul aparece também quando a questão é sobre a expectativa da família sobre sua própria situação financeira. No Brasil, 74,1% dos entrevistados indicaram estar melhor financeiramente hoje do que um ano atrás e 21,42% acreditam ter piorado financeiramente. A região Centro-Oeste é a mais otimista, com 84,21% que acham estar melhores, contra 65,95% do Sul. A região é também campeã, com 27,39%, no índice de famílias que acham que pioraram economicamente.
Quando o assunto é o futuro, 73,15% das famílias do Sul disseram estar otimistas para o próximo ano. Trata-se do índice mais baixo entre as regiões. Em média, 83,99% afirmaram que acreditam que vão melhorar financeiramente. Nesse item, a região Norte, com 95,7%, foi a mais otimista.
Outro dado interessante refere-se à expectativa de consumo: 54,1% das famílias brasileiras afirmam que o momento é propício, contra 40,3% que não acham o momentro ideal para tal. Considerando as regiões, o Sul e Norte são as únicas regiões com índices menores do que a média nacional. No Sul, 40,72% disseram que o momento é bom para comprar e 53,69% disseram o contrário.
Menos endividados
Ainda que o Sul apresente os menores percentuais de expectativas, a região é a que ostenta o menor índice de famílias muito endividadas: 3,96%. Enquanto isso, 76,76% disseram ter pouca ou nenhuma dívida. No Brasil, os índices são de 9,3% muito endividados e 73% com pouca ou sem dívidas. O Nordeste está o maior percentual de muito endividados, com 13,24% enquanto o Centro-Oeste tem o maior percentual de famílias sem dívidas, de 79,3%.
Um dado preocupante, no entanto, é que, entre os que têm contas a pagar, 40,49% no Brasil acreditam que não conseguirão saldar seus compromissos, enquanto 43,25% poderão quitá-las parcialmente e só 15% disseram que conseguirão pagar tudo. Nesse ponto, a expectativa do Sul é melhor: 24,66% afirmam que quitarão completamente, 46,58% parcialmente e 28,57% que não conseguirão pagar.
Apesar das respostas da região Sul puxaram a média nacional para baixo em várias avaliações, o IEF mostra que as famílias brasileiras mantiveram, em março, o otimismo com o comportamento socioeconômico nacional seja para o próximo ano ou para os próximos cinco anos. A pesquisa mostra, ainda, que não são as categorias de menor renda ou instrução as mais otimistas. As melhores expectativas estão entre a população na faixa de 4 a 5 salários mínimos e instrução superior incompleta.
Essa é a oitava edição do IEF feito pelo Ipea. A pesquisa é realizada em 3.810 domicílios distribuídos por mais de 200 municípios em todos os Estados.


