450% são os juros mais altos do mundo
Maicon Putti, da Ideia Consultoria de Londrina, arrisca dizer que 450% ao ano são os juros mais altos do mundo. Por mais que a inadimplência seja elevada, de acordo com ele, o spread bancário (diferença entre o que o banco paga na captação do dinheiro e o que ganha ao emprestá-lo), é mais alto ainda. A única perda para os bancos, na opinião dele, é de imagem. "O rotativo é ruim para a imagem do banco e impagável para quem o utiliza", declara.
Putti ressalta que as pessoas não estão acostumadas a fazer contas. Porque, se fizessem, não usariam o rotativo. "Existem outras linhas de crédito com juros bem mais baratos."
A Proteste, associação nacional de defesa dos consumidores, acredita que o fim do rotativo é uma boa notícia. "A gente vê com bons olhos. Os juros são altíssimos e levam as pessoas ao endividamento. Sempre alertamos para que não usem o rotativo", afirma a supervisora Institucional, Sônia Amaro. Ela ressalta que a Proteste já enviou duas solicitações ao Banco Central para que estabeleça um limite para os juros do cartão, "que são os mais altos do mercado". Mas, ainda não houve um pronunciamento da autoridade monetária.
Desconfiança
Por meio de artigo distribuído à imprensa, o promotor de Justiça de defesa do consumidor do Ministério Público de Minas Gerais, Lélio Braga Calhau, diz que o "cartão de crédito já deveria ter sido extinto ou limitado pelo governo federal por conta dos prejuízos que causou a milhões de pessoas nos últimos anos". Ele desconfia da intenção das administradoras e dos bancos. "Não se iludam com essas medidas. Como elas estão sendo estudadas apenas para prioritariamente beneficiar as instituições financeiras, algo pior e mais monstruoso pode ser criado pelos bancos, mesmo que seja oferecido para os consumidores como lobo vestido em pele de cordeiro."
A reportagem entrou em contato com a Abecs. A Assessoria confirma que a entidade vem estudando o fim do rotativo, mas alega que não vai se pronunciar mais a respeito do assunto sem ter uma proposta concreta. (N.B.)





