Brasília - Quase metade dos gastos dos brasileiros no cartão de crédito se refere ao ''parcelado sem juros'', uma modalidade que está na mira de alguns bancos e pode sofrer restrições futuramente. De acordo com relatório do Banco Central e do Ministério da Fazenda, cerca de 45% das compras no cartão foram feitas dessa forma em 2011, porcentual recorde e quase o dobro do verificado no início de 2007. O relatório mostra que não houve aumento no número de compras parceladas, mas no valor dessas transações em relação a 2010.
O governo diz que o País ''é o único do mundo'' que tem esse tipo de crédito, que pode levar o consumidor a pagar juros sem saber. ''Uma possível explicação para a grande utilização do 'parcelado lojista' seria o fato de o consumidor não observar o custo implícito do financiamento concedido'', diz o relatório, ''que, quase sempre, está embutido no preço dos bens ou serviços ofertados.''
Conforme reportagem do Grupo Estado, algumas instituições financeiras argumentam que as vendas parceladas sem juros são as responsáveis pelas taxas altas cobradas no rotativo do cartão de crédito. A afirmação é que o consumidor que pega o crédito com juros paga pelo risco de inadimplência daqueles que parcelaram a compra sem juros. O governo teme, no entanto, que o fim dessa modalidade trave os negócios com cartão e prejudique a recuperação da economia neste momento.
O relatório mostra que o valor financiado via crédito rotativo representou cerca de 10% dos gastos no cartão no ano passado, participação que está praticamente estável desde 2008. A inadimplência cresceu no ano passado e passou a representar mais de um terço do custo dos bancos com cartões. O ganho com o financiamento de compras no cartão cresceu 13% em relação a 2010, e representa 57% da receita total.
O documento mostra ainda que os bancos estão ganhando mais com a cobrança de anuidade dos cartões. A receita com essa tarifa cresceu 18% em 2011. O aumento das anuidades foi, em média, de 15%. Além disso, houve elevação na quantidade dos cartões ''premium'', que cobram taxas mais altas.
Apesar do avanço recente desse instrumento como meio de pagamentos nos últimos anos, caiu o número de cartões usados no País em 2011. Segundo o BC, isso se deve à estratégia dos bancos. A queda ficou concentrada nos cartões ''básicos'', que representam a maior parte do total. Cartões mais sofisticados, por outro lado, ganharam espaço.

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