45 anos de empresa familiar
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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Nelson Bortolin <br> <br> Reportagem Local 
Em 1967, o ex-bancário Francisco Ontivero alugou um imóvel de 100 metros quadrados na Rua Duque de Caxias, 418, entre a Santa Catarina e a Celso Garcia Cid. Ali, junto com o sócio Lettério Livoti, abriu a Móveis Brasília. Tinha à época 34 anos.
Hoje, aos 78, ele fala com serenidade sobre os obstáculos que teve de superar para construir uma rede de 15 lojas na região de Londrina e em Santa Catarina, além de uma distribuidora de aparelhos celulares. Ontivero se define como um empresário muito conservador. ''Se não fosse assim, teria umas 200 lojas'', brinca.
A entrevista com o dono da Móveis Brasília abre uma série que será veiculada pela FOLHA com empresários que se destacam em Londrina e no Paraná e ajudam no desenvolvimento econômico da região e do Estado. As entrevistas serão publicadas quinzenalmente, na página 2, do Caderno de Economia.
Depois de ter trabalhado como empregado no Banco Comercial do Paraná e da Transparaná, Ontivero teve sua primeira experiência como empresário em 1961. Junto com dois dos nove irmãos (José e Orlando), abriu a Móveis Modelo num imóvel de 30 metros quadrados na Rua Brasil, 546. Mas o negócio não prosperou.
Logo depois, com Livoti, ele criou a Móveis Brasília na qual investiu 10 mil cruzeiros à época. O sócio, que tinha uma fábrica de móveis em Apucarana, não participava do dia a dia da loja. Era Ontivero e um funcionário para atender uma clientela formada principalmente por trabalhadores de lavouras de café. ''Na época, as fazendas eram como cidades. E eles vinham de caminhão para comprar em Londrina. Eu não tinha concorrência, a loja ficava cheia. Foi a Era do Ouro'', define.
O progresso foi rápido e, por quase uma década, o mercado não sofreu nenhum sobressalto. Ontivero vendia quase que exclusivamente os móveis fabricados pelo sócio em Apucarana. ''Fomos os primeiros a vender móveis em série. Naquela época, eles eram feitos sob encomenda'', recorda.
A primeira grande dificuldade apareceu no inverno de 1975. A geada destruiu o café. O impacto no comércio foi imediato. Os clientes de Ontivero perderam seus empregos e ficaram devendo para a Móveis Brasília. ''Sempre tivemos crédito próprio. Vendemos o produto e oferecemos financiamento por meio de carnês'', ressalta.
O prejuízo não foi total, conforme recorda o empresário, porque os tempos eram outros e ninguém queria ter nome sujo na praça. ''Muita gente foi embora para São Paulo, mas depois, quando conseguiu se restabelecer, voltava só para nos pagar'', conta.
As dificuldades foram grandes, mas o negócio sobreviveu. ''Tínhamos um nome muito forte'', justifica Ontivero. Tanto é que, no ano seguinte, a loja foi transferida para o número 418 da Duque de Caxias, em terreno - desta vez próprio - com área de venda dez vezes maior.
Quando questionado se a Geada Negra foi o maior obstáculo que enfrentou como empresário, ele não demora a responder: ''Os planos econômicos nos castigaram muito mais''. Congelamento de preços, cortes de zero, tablitas, URVs. De 1986, no governo de José Sarney, até 1994, sob Itamar Franco, o empresariado teve de conviver com sucessivos planos econômicos que visavam ao combate da inflação. As mudanças eram radicais e, quase sempre, provocam dificuldades de caixa. ''Nunca pensei em fechar, mas sempre tive medo de quebrar'', ressalta Ontivero.
Em 45 anos que se completam em 2012, a Móveis Brasília manteve-se firme. Sobre qual é o segredo desta história de sucesso, Ontivero responde: ''É pensar em primeiro lugar na empresa. Eu e meu sócio sempre fizemos isso'', garante. Segundo ele, as sobras sempre foram reinvestidas no negócio. ''Muitos empresários ficam ricos pessoalmente, mas a empresa empobrece. Nós sempre priorizamos a solidez do negócio'', explica.
Raio-X
Nome: Francisco Ontivero
Data de Nascimento: 29/11/33
Local: Cândido Mota (SP)
Mulher: Áurea Paganucci Ontivero
Descendentes: Três filhos e quatro netos
Formação: 2º grau - Técnico em Contabilidade pelo Colégio Londrinense)


