São Paulo - O Brasil vive à sombra de si mesmo. À luz do dia, empresas e cidadãos vergam sob uma carga tributária de 36,8%, com o contribuinte médio trabalhando cinco meses por ano para sustentar o governo. Na escuridão, uma em cada três empresas é informal e 60% dos empregados não têm carteira assinada. De acordo com o Banco Mundial, 39,8% do PIB brasileiro é informal.
Entre o branco e o preto, há uma imensa faixa de penumbra, na qual todos transitam. Com um cipoal de 3.315.947 normas tributárias, só da Constituição de 1988 para cá, com impostos escorchantes e encargos trabalhistas proibitivos, com a concorrência desleal dos informais e dos sonegadores sem falar nos chineses , é virtualmente impossível manter os dois pés dentro da legalidade.
A sonegação é socialmente aceita. O próprio termo ''informalidade'' trai certa benevolência. A exigência da nota fiscal que, pela lei, deveria ser entregue espontaneamente junto com a mercadoria não faz parte da cultura brasileira. Os recorrentes escândalos de corrupção, o desatino no gasto público, o ralo em que se converteu a Previdência, nada disso encoraja a pagar impostos e a exigir que os outros paguem também.
Na sombra da sonegação e da informalidade, os limites da lei vão sendo empurrados, e outros crimes se seguem: roubo de carga, falsificação, desrespeito às normas sanitárias e ambientais, exploração indigna do trabalho, etc. E a competitividade do País afunda, com empresários se escorando na informalidade e na sonegação, em vez de investir em produtividade e capacitação.

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