Ir ao supermercado e comprar mais do que deveria é um hábito comum, seja porque o produto está mais barato ou porque a pessoa não planejou. O problema é que, muitas vezes, a compra é realizada sem necessidade. Uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostrou que 33,2% das compras feitas por impulso acontecem no supermercado, seguidas das compras de roupas (19,2%) e de eletrônicos (13,2%).
Considerando apenas as cinco últimas compras de supermercado, 43% foram feitas por impulso, sendo que o índice é maior entre as mulheres (46,4%), as pessoas mais jovens (51,2%) e as das classes C, D e E (44,6%).
O estudo revelou ainda que as compras não planejadas são motivadas pela necessidade de levar vantagens nas escolhas e pela ansiedade de aproveitar tudo na hora. O levantamento mostrou que 30,4% dos entrevistados garantem que o motivo da compra é o preço "muito bom", enquanto 20,3% justificam dizendo que viram o produto e ficaram com vontade de comprar e usar na hora.
O educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, disse que, geralmente, as pessoas vão sem uma lista de compras ao supermercado, o que favorece as compras por impulso. "Nos supermercados as pessoas compram o que precisam e o que não precisam. É o que acaba com o orçamento das famílias", alertou. Segundo ele, não se deve ir com fome ao supermercado e ter uma lista de compras é essencial.
Outra recomendação é que as pessoas façam as compras dentro das suas condições financeiras. Deve-se evitar o uso do parcelamento no cartão de crédito. Uma saída também é substituir marcas mais caras por outras mais baratas e ler o rótulo dos produtos de limpeza para não utilizar quantidades excessivas destes itens.
A pesquisa mostrou ainda que as promoções potencializam o consumo impulsivo. Oito de cada dez consumidores admitem que as promoções os levaram a realizar compras sem pensar, e disseram ter a sensação de estar fazendo um bom negócio - seja no supermercado, em shopping centers, lojas de rua ou na internet. "A promoção nem sempre é o melhor preço", disse Vignoli.
Uma dica é o consumidor não comprar um determinado produto e voltar para casa para pensar se realmente precisa daquela mercadoria. "De um dia para o outro a pessoa perde a vontade de comprar", disse. Ele lembrou que a economia não parou de piorar e o desemprego é crescente, o que exige cautela com os gastos. Segundo o educador financeiro, é essencial ter um planejamento e anotar quanto a pessoa ganha e quanto gasta.
Em casos que o consumidor é acostumada a fazer muitas compras por impulso, o professor do curso de ciências econômicas da PUCPR, Carlos Magno Bittencourt, aconselha deixar os cartões de crédito e débito em casa e sair apenas com o dinheiro contado para aquela determinada compra. "O cartão de crédito anestesia a dor do desembolso imediato, mas a fatura das compras sempre vem", disse. Ele também alertou que, ao comprar produtos em promoções, a pessoa também pode comprometer sua renda.

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