30% de desconto no pedágio 'parece pouco', diz secretário
Um desconto de 30% no valor do pedágio "parece pouco" para justificar a renovação já dos contratos assinados com as seis concessionárias responsáveis pelo Anel de Integração do Paraná. A percepção é do secretário de Infraestrutura e Logística do Estado, José Richa Filho. Ele ressalta, no entanto, que não há estudos prontos e nem proposta oficial a esse respeito. Ontem, Richa Filho foi um dos sete convidados a compor a mesa da solenidade de abertura do 9º Congresso Brasileiro de Rodovias & Concessões 9ª Exposição Internacional e Produtos pra Rodovias, em Brasília.
A renovação dos contratos antes do vencimento, com inclusão de obras e redução de tarifas, está sendo estudada por uma comissão criada pelo Ministério dos Transportes. A proposta divide as principais entidades que representam o setor produtivo no Paraná. De um lado, a Federação da Agricultura (Faep) e a Federação do Comércio (Fecomércio) defendem a medida. De outro, a Federação das Indústrias (Fiep) e a Organização das Cooperativas (Ocepar) querem esperar o vencimento dos contratos para que, depois, seja feita uma nova concessão. As primeiras alegam que o Paraná não suporta esperar mais seis anos pagando tarifas tão altas. As outras acham que não há negociação que possa chegar a valores razoáveis.
Richa Filho nega que o governo estadual trabalhe pela renovação dos contratos. Alega que está reivindicando ao Ministério dos Transportes apenas a renovação antecipada da delegação das rodovias, que são federais e foram transferidas ao Estado por meio de convênio que também vence daqui a seis anos. "Trabalhamos com vários cenários", afirma ele, que repassa a paternidade da proposta a Brasília. "O governo federal está interessado", declara.
O secretário disse à FOLHA que pretende lançar no próximo mês os editais para novas concessões, desta vez de rodovias estaduais. O governo estuda nove projetos, entre eles o da PR-445, no Norte do Estado, em direção a São Paulo, e da PR-092, de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro) a Jaguariaíva, na região central. Mas nem todos devem ser viabilizados. "Não adianta sonhar com concessão se o tráfego da rodovia não sustenta o negócio", justifica.
Richa Filho conta que os projetos serão na modalidade de concessão tradicional. No ano passado, o governo do Estado experimentou uma parceria público-privada para duplicar a PR-323, de Maringá a Francisco Alves (Oeste). O Grupo Odebrecht foi o único que se interessou pelo projeto. Mas, segundo o secretário, ainda não conseguiu viabilizar o empréstimo para o empreendimento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). (N.B.)





